É tudo meio louco né? Assim, não que ser louco seja ruim, mas entende, é legal sim, eu gosto. Tu gosta? Eu percebi desde o começo que eu me sinto meio chapada quando eu tô perto de ti e isso até que é bom. Eu gosto de ficar chapada. Aliás, eu tava chapada na primeira vez que a gente se beijou.
É estranho porque quando eu entrei no teu quarto tinha um cheiro meio estranho, mas não era ruim, sabe? Era cheiro de mudança, sei lá. Toda tua casa era meio estranha, parecia um pouco com a casa que eu sonhei uma vez. Meio bagunçada.
Eu gostei.
O mais estranho é que eu me senti confortável. Por mais que parecesse que a qualquer momento pudesse ter (mais um) assassinato, eu só queria ficar ali, deitada naquele colchão jogado naquele chão sujo do lado de um monte de roupa e toalha pendurada. Dá pra entender?
A casa do barbudo era bem ajeitada, tudo arrumadinho, cheirava bem e tal, mas eu nunca me senti muito confortável, entende? Nunca me senti conectada, era estranho. Parecia que eu não me encaixava.
Eu gostava dele sim, gostava. Mas será que gosto mais de ti? É possível? Porque eu não gosto de quantificar as coisas mas parece que pra tudo fazer sentido na minha cabeça eu tenho que quantificar senão dá errado, entendeu? acho que eu to chapada só de pensar em você. é como se eu te fumasse pouco a pouco e quando eu te beijo eu sinto aquela coisa transcendental que só a cannabis proporciona pra gente sei lá é estranho tá entendendo eu to começando a perder o controle dos meus dedos e é como se as palavras só atravessassem minha mente sem dar oi nem tchau elas só vem e vão e quando eu vejo eu já escrevi tudo aqui e não deleto nada porque eu não quero deletar porque eu não quero perder e o Bob Dylan tá cantando bem fundinho na minha cabeça e eu gosto do Bob assim como eu gosto de ti e gosto do teu colchão da tua bermuda rasgada da tua casa bagunçada e do jeito que você bagunça meu cabelo e fica todo suado e da tua boca brincando com a fumaça como se soltasse todos os espíritos ruins que ficam presos no teu corpo só esperando a hora de explodir pra fora e as tuas pernas torneadas que dão um tom assimétrico pro teu corpo que é de menino assim relaxado que nem eu mas eu não tenho as pernas fortes como as tuas porque eu não faço nada na vida além de ficar aqui sentada desenhando e escrevendo umas bobagens que lá no fundinho perguntam se algum dia tu vai ler ou ver ou ouvir ou continuar aqui esse período todo porque em algum momento tu vai embora entende? em alguma hora tu vai me deixar e vai cansar e vai dizer que eu não sabia fazer nada por mais que hoje em dia você negue e eu vou falar alguma merda e fazer alguma palhaçada que vai te irritar mais ainda e tu vai me queimar com teu cigarro e eu vou olhar pra marquinha e sentir uma puta raiva de ti que vive me machucando mas vou sorrir e dar risada porque não consigo guardar rancor e porque sinto muito mais raiva de mim do que de ti porque eu não consigo guardar rancor teu nem de ninguém e meu deus do céu como eu queria guardar rancor de ti como eu queria te odiar te olhar no fundo dos teus olhos pretos e gritar que tu é sim minha fase ruim que você é um lixo e não vai ser nada na vida mas não dá não dá não dá porque tu é sim tu é feito pra mim e eu não sou feita pra ti porque eu quero te salvar e tu não quer ser salvo e eu quero te entender mas tu não quer ser entendido e eu quero te olhar mas tu vira o rosto e me chapa e me consome neurônio por neurônio até eu ficar louca desvairada vagando pelas esquinas procurando por você olhando pros ônibus amarelos e me perguntando se eles passam na sua rua me perguntando se se eu entrar num deles vou te encontrar perdido andando por algum beco da zona leste fumando um cigarro ou pedindo dinheiro no farol porque tu é assim né? tu é assim e eu sei que você é mas eu não consigo deixar de pensar em como eu queria me moldar pra tu me aceitar de uma vez por todas na sua vida no seu coração e nessa merda de colchão jogado no chão sujo dessa casa bagunçada que parece tanto com a minha cabeça.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Explosão cinematográfica
eu queria fazer um filme. um filme de cada pedaço da vida. queria que minhas íris fossem lentes de 18:315mm prontas pra captar qualquer imagem, qualquer cena, qualquer distúrbio descontínuo na paisagem. um filme meu e teu. um filme teu soltando fumaça. um filme de quando o sol vai dando tchau e o céu fica rosa. um filme de quando os estranhos olham pra gente na rua e sorriem. um filme da noite paulistana boêmia. dos jovens perdidos. dos adultos se achando. um filme dos casais estranhos prepotentes com seus narizes empinados. um filme das meninas prontas pra celebrarem sua vida amorosa de merda. um filme de merda. por que não? merda, merda e mais merda. um filme do caos. do tesão. do desejo de ser alguém diferente. um filme dos anseios de uma vida perdida. um filme de esperança desperdiçada, de fé derramada sobre as cabeças de quem menos quer enxergar. um filme dos que não se sentem conectados com o mundo. um filme dos aprendizes a alguma coisa. perdidos. loucos. jovens. pessoas. um filme da chuva batendo no asfalto. da puta barata chorando num bar qualquer. a maquiagem borrada. o batom vermelho. um filme do sexo sem compromisso. do compromisso sem sexo. dos recém-casais. dos ex-namorados. dos encontros carnais. dos desencontros de alma. a troca de fluídos, cheiros, porra, suor, gemidos. de paredes arranhadas. muros rabiscados. um filme que captasse os cheiros. o cheiro de mato. cheiro de poluição. cheiro de rio. cheiro de alma fétida. decomposição. cheiro do que foi e não vai mais voltar a ser. cheiro de bueiros. moradia dos bestas. um filme que traduzisse nossos corpos. que te prendesse em mim. te prendesse em ti. te fizesse enxergar a tu mesmo como tu é e não como eles acham. um filme pra ser exibido numa tela gigante no céu. um retroprojetor de proporções infinitas. com mil olhos vendo tudo. mil almas se enxergando. como câmeras escondidas atrás de cada célula do nosso corpo. pra fazer com que eu, você, a criancinha da fileira da frente com os olhos atentos, a velha da terceira fileira entediada, o advogado atrasado, a artista esperançosa, meus pais, teus pais, os bebês, os velhos, os ricos, os pobres, os carentes de atenção, os sufocados pelo sistema, pra fazer todos esses virarem um só. uma pessoa só. numa tela só. no céu.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Mas por que ora pois veja bem
Talvez não fizesse sentido mesmo. Ou eu que não sabia explicar muito bem.
Entenda, pequena, as coisas já perderam sua essência faz tempo e não adianta ficar insistindo em algo que, certamente, não vai pra frente. Entende?
Eu me lembro de te ver tatear pelo quarto, com teu vestido. Eu que te dei ele, foi? Não me lembro. Não me lembro de mais nada e não sei se seria do meu feitio lembrar. É?
A tua pequenez fez com que minhas células atrofiassem, mas espera, não quero parecer grosso. É bom, é bom. Eu só queria fazer você caber sem esforço aqui dentro, sem se perder. Talvez nem disso eu lembre, se era muito pequena ou se era muito grande...
A tua grandeza fez com que eu me esticasse todo por ti. Assim fica melhor? Acho que era disso que as pessoas na rua riam tanto. Olhavam, apontavam. Como poderia uma mulher daquele porte com esse senhorzinho. Como poderia?
Mas veja bem, você está conseguindo compreender? Eu sei que quero chegar em algum lugar, só não sei que lugar é esse. Ah, pequena-grande, eu não faço ideia de onde eu vou ou quero chegar. Mas tu me acompanha?
Não.
Não sei, menina. Não sei o que fez você correr e talvez nem você saiba. Só sei que outro dia eu estava lendo meu antigo caderno de anotações do outono passado e te vi lá. De um jeito bem piegas, sem vírgulas, sem nada.
anoiteceu e as coisas ficaram mais frias desde então a culpa é da noite ou do vazio que tu deixastes aqui logo após partir? ei moça olha pra mim eu estou aqui ainda não me deixa assim olha só que eu não sei rimar e tenho toda essa pose de velho elegante formado em Paris mas as coisas não são bem assim do teu lado eu sou ninguém do teu lado eu sou de ninguém eu sou seu mas você vive sumindo e se tu não existisse eu não sei de quem eu seria.
Lembra de como eu pigarreava e colocava a culpa no cigarro? Pobre cigarro, levava a culpa inocentemente. A culpa é dessa minha faringe que já não aguenta mais viver. Pois bem, a minha faringe é um ser vivo separado do meu corpo, certo? Assim como meu pulmão, meu fêmur, rim, epiglote. E coração? Não é teu, nem meu, nem deles. E quem são eles afinal? Pra quem é que a gente grita tanto, louva tanto. Pra quem foi que tu correu? Louca, desvairada, cansada do mundo. Tira as mãos de mim, você não me pertence, eu estou sozinha nesse mundo e não é você nem ninguém que vai mudar isso. Mas, pequena, não fala assim que eu fico sem o que te falar, eu não sou bom com palavras, eu não sou bom em nada, eu só sou bom em ser bom pra ti.
Correu.
Pra longe de mim (ou de si mesma?). Correu forte, ventania, cabelos brincando com a gravidade, boca pálida, vestido brigando com os ventos. Ah, vestido. Foi o que eu te dei? Foi. É. Estranho como tu fica mais linda ainda longe de mim. Correndo de mim. Se libertando de mim.
E será que cheguei em algum lugar? Será que tu chegastes? Deve ter chegado na fronteira de alguma cidade, estado, país, galáxia. Deve estar exibindo a tua silhueta pra outros povos, em outros mundos, outras cores, outros ares.
Tu.
Dançando em outros corpos com o vestido bordado que te dei.
Que eu mandei fazer, pra ti.
Pra te ter, em mim.
Pra ficar, assim.
Sem sentido nenhum. Me sentindo ninguém.
Cada vez maior pra ti. Cada vez menor em mim.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Das coisas que eu não entendo
Não, eu nunca entendi por que preferia o lado esquerdo do que o direito. Nunca entendi por que nunca gostei de bala de iogurte. Nunca entendi por que meu braço se estica tanto e as pessoas me olham torto quando isso acontece. Nunca entendi por que um pulmão é menor do o outro. Nunca entendi por que passei um mês no hospital. Nunca entendi por que todo mundo podia sair no frio e eu não. Nunca entendi por que eu e minha irmã temos o mesmo nome. Nunca entendi pra quê serve o capuz da jaqueta (seria pra cobrir o cabelo?). Nunca entendi por que as pessoas preferem bandas ruins. Nunca entendi por que tô nesse corpo e não no outro. Nunca entendi por que a gente dorme quando tá escuro e acorda quanto tá claro. Nunca entendi por que o Sol é a única estrela que a gente não vê de noite. Nunca entendi por que existe tv aberta e tv à cabo. Nunca entendi por que não consigo dar oi pras pessoas. Nunca entendi por que tenho um olho mais claro do que o outro. Nunca entendi por que tive que fazer aquela biópsia aos três anos. Nunca entendi por que perder a virgindade é uma coisa tão importante. Nunca entendi por que a gente mente pra encobrir verdades. Nunca entendi por que algumas coisas são mais caras que as outras. Nunca entendi por que nossos corpos são diferentes. Nunca entendi por que meu pai desmaiou. Nunca entendi por que minha avó não gosta de mim. Nunca entendi por que meu médico favorito foi demitido. Nunca entendi por que tiram sarro quando digo que gosto de filmes franceses. Nunca entendi por que a gente ama. Nunca entendi por que você demorava tanto tempo pra gozar. Nunca entendi por que me apertavam forte. Nunca entendi por que me chamavam pra'quelas merdas de festa. Nunca entendi a chuva ácida. Nunca entendi a minha professora de história da quinta série. Nunca entendi por que as pessoas tem tanto medo da morte. Nunca entendi por que algumas pessoas sentem adrenalina e outras não. Nunca entendi por que as pessoas se definem em sexo. Nunca entendi por que eu sempre desisto de tudo. Nunca entendi por que eu nunca termino nada.
Nunca entendi por que nunca entendo as coisas.
Nunca entendi por que nunca entendo as coisas.
domingo, 22 de julho de 2012
Niilismo, cinismo e cansaço
Sabe, cara, sei lá. Eu simplesmente cansei, sabe? E as pessoas fazem o maior problema com isso, e qual o problema, afinal? Eu só tô cansado, cara. Cansado de palavras e mentes vazias e de ter que me explicar em cada ocasião. Eu odeio as ocasiões, dá pra entender? Não suporto. Eu não nasci pra participar delas e tampouco para gostar.
Eu cansei de ser chamado de louco viciado, eu tentava ser muito mais do que isso e não dava, o que eu posso fazer? Eu tentei, cara. Eu ainda tento de vez em quando, mas sem nenhuma esperança. Eu só aponto e saio remando, pra chegar a lugar nenhum, essa é a verdade. Eu cansei de chegar a lugar nenhum e me encontrar as mesmas pessoas perdidas. De perdido basta eu. Eu cansei do mesmo ar, das mesmas caras, das mesmas esquinas, mesmas bancas de jornal, mesmas faixas de pedestre, mesma mão compartilhada, mesmo rodapé de parede, cansei.
Eu me sinto nada por dentro e por fora. Minha aparência tá horrível, desgastada, as pessoas me olham e acham que sou demônio só pelo jeito que eu olho pra elas. Mas eu não faço por mal, você devia me entender, eu não gosto de assustar. Eu quero é ser compreendido, mas ninguém aqui tá nem aí pros meus problemas, não vamos falar de compreensão blá blá blá. To cansado do blá blá blá sem ação, to cansado. To cansado de estar cansado e não achar um mísero poste de luz que funcione pra me agarrar, sabe? Estabilidade, apoio, conforto, qualquer merda que venda numa livraria, qualquer. Não tem nada nem pra me ajudar, me disseram de uns tais remédios, mas o que eu quero não pode ser comprado na porra de uma drogaria, dá pra entender?
Já tentei auto ajuda e aquela porra não funcionou, eu cansei de tentar correr atrás dos meu objetivos. Pra falar a verdade, eu nunca os tive, e se tive já me esqueci. Eu vivo esquecendo o que não é importante, daquilo lá já não sei de mais nada, vamos continuar por favor? Onde eu estava? Ah, cansado. As pessoas nem sequer me olham quando falam comigo, onde já se viu? As pessoas desse mundo não sabem mais pra que os olhos foram feitos. Elas acham que tão aí encrunhados na sua cara só pra você ver o preço das coisas, mas não é! É pra você olhar pro sentimento do outro, olho é feito pra conectar com o outro e só isso.
Vi muita gente se perder, disso eu não me esqueço. Gente que eu achava que era pra sempre e se tornou só mais um desperdício na minha mente, não sei porque ainda os guardo aqui, mas não é como se desse pra tirar da minha cabeça. Eu sinto falta, sabe? Falta de ser vivo. De viver e das pessoas se importarem se eu estava vivendo bem ou não. Cara, como eu sinto falta do outono. Aqueles bares, a rua de noite, a chuva passageira, eu sinto, mas só sinto. Agora o que eu sinto é pena deles, dessas memórias, eu não sei o que fazer com elas ou com eles. Não são pessoas, são animais. Eles sugam, sabe? Minha essência, minha vitalidade, minha juventude, sugaram tudo e não deixaram nada nem pra eu me afogar um pouquinho.
O que eu quero? Eu quero a eternidade. Eu sei, eu sei que pareço um maluco sociopata de primeira categoria, mas eu queria era me perder de um jeito bom, entende? Me perder pra me encontrar, mesmo se for pra me encontrar perdido. Eu quero alguém por quem morrer, e outro alguém pra me fazer querer viver.
Eu quero uma mão qualquer, um dedo, um anel, uma unha, qualquer coisa. Eu quero alguém, cara.
Eu quero parar de me cansar.
sábado, 7 de julho de 2012
Porra, Zaz
Como eu te trago pra perto de mim? Cada vez que eu te puxo você se afasta mais e mais e mais. Eu sei que as coisas com o teu coração não andam bem e que tem milhares de pensamentos explodindo na sua cabeça a cada segundo, mas você pelo menos pensou em como eu estou? Eu não entendo e talvez nunca vá entender o que se passa contigo e isso me irrita, Zaz. Entende? Eu quero te explorar, eu quero entrar na tua pele, nos teus átomos, em cada espaço vazio dentro do teu corpo e borbulhar dentro ti. Zaz, eu quero você em mim. Eu quero você pra mim.
Não vira o rosto, eu tô falando. Será que você não consegue me ouvir? Por que você faz isso? Te dá tesão?Te deixa molhada? Eu preciso saber, Zaz. Eu quero saber. Me conta da tua vida, chora no meu ombro, ri das minhas piadas, compartilha teu sorriso comigo. Não é pra ser tão difícil, meu Deus, eu não quero que seja assim. Eu só quero ser feliz, atirar num ponto e seguir em frente. Quero que você seja meu ponto. Ponto de lucidez, de paz, de fé. Eu só quero alguém pra me desperdiçar, me jogar, fingir que não vai dar tudo errado no final.
Vem pra perto, Zaz. Eu não aguento mais você tão longe. O que eu te fiz? Eu sei que sou desinteressante, mas eu não posso mudar, eu não quero mudar. Caralho. Eu sou horrível e só quero me apoiar e deitar minha cabeça no colo de alguém que vá me dizer que eu não sou tão ruim assim.
Zaz, eu só quero te puxar pra perto, perto o bastante pra sentir o teu cheiro. Não quero ter que te ver indo embora de novo, que nem você sempre faz assim que eu abro os olhos de manhã. Eu só quero alguém. Eu preciso de alguém. Eu quero que esse alguém seja você.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Véspera
Tenho procurado pela nossa máquina do tempo. Algo que nos traga de volta ao lugar que jamais devíamos ter saído.
Algo que restaure o que nós éramos e limpe tudo o que tem dentro de ti.
Mas tempo é relativo.
Eu sinto tua falta, você não imagina o quanto.
Eu sinto tua falta, do que tu era antes. Do que tu não parece mais querer retomar.
Eu sinto falta do que nós éramos, quando não havia problemas e só curas.
Eu tenho saudades de quando nosso remédio não era o próprio veneno.
A mão que afaga...
Talvez você tenha bebido tudo e não tenha deixado nada para mim e num ato muito frio e calculista, foi embora. Enquanto eu pensava estar sozinha, me encontrei. Me encontrei perdida e imunda por essas ruas. Com a cara estampada num urbanóide qualquer de alguma cidade que eu nem sei o nome - e nem faço questão de saber, que diferença faria?.
Ando para trás, acordo em cubículos estranhos, me encontrando na noite com um nó no peito, que parece mais com um escarro preso. Isso não foi feito pela mão humana. não foi.
''O beijo, amigo, é a véspera do escarro''.
Vaguei por alguns corações, e desperdicei todas as oportunidades de te esquecer. Apanhei as lágrimas que qualquer amante derramou pela calçada, gritando pelo amor perdido, pelas almas sugadas nos muros da cidade. Meu orgulho escorreu para ti, e me deixou assim: sozinha, vazia. Nenhuma gota restou, nenhum mísero milímetro.
Eu não quero que você me ouça, eu não quero conversas, eu só quero falar pra ninguém ouvir. As revoluções só acontecem nos livros, nada disso é possível, é tudo muito improvável. A matemática não dá certo, essas imagens que rondam minha cabeça não fazem mais sentido - não que tenham feito algum dia).
Eu ando pelo mundo desperdiçando gente, desperdiçando suor, saliva, cinzas. E nada é cinza. É tudo de um marrom estranho, motor de caminhão, turbinas elétricas, outdoor, pichações, tudo marrom.
Por favor, não tente me salvar, eu não preciso de salvação, eu só preciso de gente.
Levanto-me de mais um dia. Não sei mais se me olho no espelho ou se volto a dormir. Qual seria a diferença? Eu me sinto morta por dentro, eu me sinto oca. A ignorância nos faz perder a visão. Não está nada sob controle. O controle está sobre tudo isso e eu nem faço questão de agarrá-lo e falar pra esse bastardo que sou eu que guio minha própria vida.
Nada faz diferença alguma. Nem o nada me cativa mais.
Que merda, eu não tenho mais nada.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Gigante
Para. Eu quero descer. Eu cansei de rodar.
O sol me arde os olhos, mas te deixa cada vez mais feliz. Ok, vamos, mas só mais uma vez.
E gira, gira, gira, gira. Gira em torno de si, de mim, do mundo, do sol, de nós.
Eu digo que acabou e que nunca mais vou pisar meus pés nesse brinquedo, mas você não cansa de me olhar e pedir um pouco mais. E giramos, tudo de novo, tudo igual, como se nunca tivessemos experimentado a sensação antes.
Saio tonta, branca, confusa, demente. Me segura, vou cair. Acabou, é a última vez que rodamos.
Ok, só mais uma vez, mas dessa vez é a última, eu juro.
sexta-feira, 30 de março de 2012
I
Eu não sei se você conseguiria entender. Não que seja difícil de me entender, sabe? Mas não sei se você teria paciência para ao menos tentar.
As coisas não andam muito bem na minha cabeça, e eu gostaria de achar uma forma de te explicar toda essa frieza com a qual eu venho te tratando. Eu não sei. Eu não sei de mais nada e talvez nunca tivesse ao menos entendido algo do que se passou, ou passa.
Não sei se devo te tratar como presente, futuro ou passado.
Eu cheguei bem perto do final, entende? Cheguei no topo da montanha e, feito criança curiosa, estendi meu corpo inteiro pra ver o que me aguardava lá embaixo, mas eu não sei. Deve doer, não deve? Já doeu em ti?
Suplico para que meu corpo não me traia novamente, deixando marcas de pés por onde eu nem ao menos quis andar. Perdi o controle das minhas mãos e não sei mais se te toco ou se abro a porta para ir embora, não sei mais se digo Oi ou Adeus.
Eu perdi minha cabeça, por favor, entenda que eu estou me perdendo aos poucos enquanto você tenta nos achar.
sábado, 10 de março de 2012
Sigh
Pouco a pouco fui me distanciando daqueles que não me valiam a pena. Das coisas que me traziam prazer, mas não eram sadias. Em passos lentos fui me afastando dos meus costumes rotineiros, dos meus vícios - banais ou não.
De pé em pé, migalha em migalha.
Eliminando um por um do meu corpo, da minha mente e - ouso dizer - da minha alma.
Jogando as dores passadas no lixo mental-corporal pelo qual já não zelava mais há um bom tempo. Incinerei histórias mal contadas que não quero mais ler e memórias que só me traziam peso.
Andei em linha reta, em passos espaçados, aproveitando o vento que bagunçava o meu cabelo e me provava que ainda estou de pé.
Não corri, andei. Não pensei, senti.
Fui no caminho contrário à todas as mentiras que já contei, todas as farsas, trapaças, manipulações.
Limpei os resíduos de dentro de mim até sobrar espaço para quem quiser entrar, velho ou novo, nem que seja alguém só para jogar conversa fora.
Não economizei panos para secar os mares de gelo que tanto reservei dentro do peito, que cedo ou tarde, iriam derreter. E derreteram.
Abri espaço no coração, joguei os neurônios mortos fora, enterrei minhas paranóias.
Esvaziei-me de coisas desnecessárias assim, calma e serena. Como quem acaba de aprender a andar, um pé de cada vez para não tropeçar.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Mofo
Você me achava louca, mas eu sei que na verdade só tentava esconder a única coisa que era certa naquele momento: eu estava certa. Eu olhava para os cantos da sala, para a mesa vermelha que fazia contraste com o chão envelhecido, que fazia contraste com as cortinas roxas, que fazia contraste com os banquinhos de couro branco, que faziam constraste contigo de olhos frios e rugas na testa.
Por que me trouxe aqui de volta? Perguntava dentro da minha cabeça. A incerteza tomava conta do lugar, como se o menor mover dos dedos fosse quebrar essa linha tênue de silêncio que nós dois construímos. Eu pensava, olhava, pensava de novo. Neste ponto você já estava me encarando, como quem se perde nos pensamentos e já não tem mais o controle dos próprios olhos. Engraçado, não? Você me olhar era, dolorosamente, novo.
Estendi a mão para pegar água e para te tirar do seu coma visual. Um gole, dois goles, três goles. Você me encarava.
Caramba, o que mais você quer?
- Não queria gelada? - você disse.
- Não, assim está bom, obrigada.
Sorri, mais por dever do que por simpatia.
Vamos, abra sua boca, movimente sua língua e me diga a maldita resposta. Não é como se tivessemos enganando alguém, o tempo que tínhamos já foi perdido, que diferença faria agora?
Não me mexi. Seus olhos fixos no quadro atrás de mim. Me virei para ver qual era.
Starry Night.
- Nós vimos esse quadro em nosso primeiro encontro - eu quebrei o silêncio
- Sim... - disse você com a voz rouca - estranho como ele fazia tanto sentido naquela época.
Silenciamos.
- Ainda faz.
- Faz? E o que tu vê?
- Estrelas.
- Ah, isso todo mundo vê.
- Não.
Acendi um cigarro e continuei.
- Não quis dizer no quadro, quis dizer nos seus olhos. Seus olhos me lembravam estrelas naquele dia.
Outro silêncio.
Já estava ficando cansada desses joguinhos, não sobraram mais milímetros quadrados do seu corpo para serem observados pelos meus olhos.
Você mexeu no cabelo do modo que sempre fazia e estendeu as mãos para se alongar.
- Você ainda fuma?
- Nunca parei - respondi, seca.
Oito horas.
Nesse ponto eu já imaginava como teria sido meu futuro contigo se eu não tivesse desistido.
Você, no auge dos quarenta anos, sentado numa poltrona de couro branco com um robe cobrindo seu pijama. Estaria eu ali do seu lado? Eu para recolher suas bitucas de cigarro espalhadas pelo chão da casa. Para vir te servir chá e bolacha maizena e depois te dar um beijinho na testa e te acalmar ''Vai ficar tudo bem, amor, logo logo essa louca sai daí e tudo se resolve''. Teria?
E para massagear as suas costas cansadas do trabalho matinal? Rezar contigo o Pai-Nosso toda noite, ir de mãos dadas até o mercado só para comprar alguma besteira que eu senti vontade.
Não teria, não é?
- Não - você disse.
Fui embora, era tudo o que eu precisava.
Enquanto andava desviando das poças me senti na obrigação de voltar e te perguntar como teria sido se eu tivesse insistido. Dei meia volta, pisei no primeiro degrau da escada de mármore. Pensei.
O porteiro já vinha me perguntar o que eu queria.
- Nada, me desculpe.
Acendi um cigarro e fui embora, dando as costas para seu prédio, seu portão e - principalmente - nosso futuro.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Junk
Eu vejo tua pele através da sua roupa, através dos seus cabelos, através da sua saia. Andava nua por aí sem se preocupar com o que os outros pensavam, olhavam ou criticavam. Tu era, é.
Tatuagem na coxa, sem significado, só pra irritar os pais. Seu cabelo manchado se misturava com o tom inconfundível das suas unhas, que combinavam com o batom, que combinavam com os sapatos, que combinavam tanto comigo.
Te vi parada, tomando uma cerveja barata, a única que o teu emprego poderia pagar. Até me ofereceria para te pagar um drink, mas você não me conhece e já me olha como se não gostasse do que vê. E o que tu vê?
Todos os dias eu te via. Eu te via incansavelmente. Nas noites frias em que teu pai te colocava pra fora de casa, ou nas quentes em que você chegava cansada de tanto correr pelas ruas procurando a liberdade.
Tomava café, lia jornal.
Tu continuava com a cerveja na mão, algumas noites fumando e outras falando com algum estranho sobre teu desejo de parar de fumar.
Você ia morrer, ia, mas eu não cansava de te olhar. Eu não cansava de ver os seus cabelos, unhas, lábios, coxas, pele, como se fosse a última vez. Porque ia ser e isso já estava bem claro pra quem quisesse ver.
Mas tu não via.
Tu não via e nem se preocupava com isso.
Da tua sede de viver, menina, eu construí os meus desejos de te ver cada dia, cada hora, cada minuto da minha vida - que seria tão longa e a sua tão curta - só para te ver tragando do último cigarro do último maço do último dia da sua vida.
domingo, 22 de janeiro de 2012
III
E se eu fosse arte abstrata, jogada num canto da sala, você ainda ia me olhar?
E se eu fosse aquela mobília barata, cheia de arranhões, você ainda ia se interessar?
E se eu tivesse uma ponta torta, a mente toda errada, alguma perna morta, seria simples assim?
E se eu ficasse velha, de um dia pro outro, me esquecendo das coisas aos poucos, você ainda se lembraria de mim?
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Owl
Venho te observando de longe e você nem me vê, e se vê, não liga. Te olho, fixa em ti, escavo o teu muro de concreto para enxergar melhor e me perco dentro da sua complexidade (forçada ou não). Quem diria, o abismo dentro de ti realmente existe e eu sempre duvidei.
Agora você me olha sem-graça, estático, como quem acabou de contar uma piada e está esperando as risadas. Me vejo nua para ti. Seus olhos que entram dentro de mim e eu, que já estou tão cheia, me espremo toda aqui dentro só para que tenha mais espaço para ti. Deixo de lado órgão, coração, orgulho, superioridade, e te faço caber aqui dentro de mim outra vez.
Olhos fartos, cansado, cheios, cobertos pela repugnância que você mesmo construiu e custa em se deixar abalar. Olhos que dizem mais do que as palavras que tu tentava escrever.
Olhos que dizem muito mais sobre o que foi de mim e de você.
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
oca.ína
Anda logo pois já estamos atrasados e se perdermos esse trem a minha rotina diária vai por água abaixo água abaixo ouviu? eu sei que me ouviu você se faz de cego surdo mudo besta maltratado mas no fundo tu só quer uma alma pra apoiar os seus pés sujos de pixe eu te conheço bem conheço melhor do que as outras que já rondaram tua silhueta malfeita tua cara cansada seu coração abarrotado dentro desse buraco gigante que é o teu peito sim meu bem nós nos perdemos e o que posso fazer se tu achas que a culpa minha e eu acho que a culpa é minha também? eu me perco no feitio que é o teu mundo imaginário pra eles e pra mim tão real e você leva e lava minhas esperanças fés crédulos razões junto contigo mas anda logo pois já estamos atrasados me segura pra eu não cair pois se eu cair eu me atraso e se eu me atrasar eu me perco e se eu me perder eu não me encontro mais meu amor não me venha com esses punhos fechados e sobrancelhas franzidas eu não gosto dessa situação tanto quanto você mas eu não tive escolha eu não tive nem por um segundo o controle do meu corpo eu não sei mais o que eu estou fazendo aqui e você parece não saber também mas continua me apertando forte no braço pra ver se dessa vez tu deixa uma marca uma mordida tatuagem varizes qualquer coisa que marque na minha pele a dor que nunca mais saiu de dentro do meu peito que agora vaga vazio pelas ruas dessa cidade abandonada meu amor vamos pois eu não posso me perder mais do que já me perdi ao te encontrar me segura pois eu estou caindo dentro de você novamente e isso seria má ideia foi o que me disseram os especialistas analistas psicólogos psiquiatras orixás mãe-diná tarô lobotomia tudo tudo tentei de tudo e nada me tira das mesmas ruas que costumávamos andar quando tu me tinha nas mãos de punhos fechados e vento no rosto você se lembra? nós não nos importávamos com nada nem com o horário do trem o trem vai sair meu amor corre senão nós perdemos e ficamos presos assim juntos pra sempre e isso seria má ideia já te disse isso? má ideia pois me disseram que eu não devia mais te ver porque você causou danos irreparáveis aqui dentro mas quem são eles pra me dizer quem causa danos aqui dentro corre nós já estamos chegando a gritaria está diminuindo e nós finalmente conseguimos sentir o cheiro horrível daquele esgoto a céu aberto que nós costumávamos ficar olhando por horas e horas fingindo não sentir nada segura minha mão e não me solta mais nunca mais sussurre dentro do meu ouvido que nossos passos são predestinados e que teu coração se limita a um medo que se encontra dentro de nós - espero que meus pés se manifestem de uma maneira que acabem não me traindo num momento sou deus e noutro sou fraca fria suja asquerosa e ninguém conseguiria olhar nos meus olhos sem sentirem um medo trovejante de morte e de vida e qual será a minha resposta? cansei de correr na direção contrária ser destacada em mundos e olhares me cruzarem como se fosse arte abstrata sua força me dá vitalidade e eu me encontro perdida num caminho obscuro que dá lugar ao teu coração as coisas não se encaixam mais a morte se aproxima ou é o frio que sai de dentro da alma? temos que correr procurar uma saída encontrar a felicidade mesmo se for à sete palmos vamos gritar pular amar e amar até não dar mais pois o tempo corre, o nariz sangra e a paranóia invade o ambiente o que será isso agora? não sei para onde ir só sei que devo ir devemos ir devemos para alguém isso.
Me perdi.
Perdemos.
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Texto feito junto com a Bibs que escreve pra caralho!
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Tô pra lá de qualquer coisa
Hoje acordei pra ser. Só ser, sendo. Acordei pra ser o que era quando não fui mais nada.
Tentei ser o que não era por tanto tempo que do nada um estalo tomou conta da minha espinha e me pôs de volta no meu lugar de origem: o ser. Sendo o ser eu tentei virar aquilo que já não era mais há um bom tempo. Andando entre vielas, correndo nos paralelepípedos, fugindo dos costumos fugais que me enlaçavam e me traziam de volta pra onde eu tentei sair. Sem êxito. Tentei, não poderia fazer mais nada, meu sangue eu já havia doado.
Embarquei um novo membro nisso tudo: o Passado. Carregava-o pra tudo quanto era lugar, onde era permitido lá estava ele, parado e cochichando no meu ouvido. O que era já não interessa mais, ou talvez interesse, mas estou com preguiça de detalhar. Acontece que o Passado já se tornou inválido e cansativo depois de um tempo. Inválido, não inútil, gosto de deixar claro. Parei pra me perguntar se ele tornara cansativo ou eu que estava me cansando das coisas. Conclusão: nada. Nada era o que eu queria ser e talvez não fosse me encontrar por um bom tempo.
Mas não até hoje.
Hoje eu decidi acordar para ser o que sempre devia ter sido antes de me encontrar com tal-companheiro-mencionado-ali-em-cima. Talvez não dê certo, talvez seja perda de tempo. Pode ser que eu corra milhas e milhas procurando o me ego para me deparar com um muro de concreto. Ou quem sabe eu ache.
Quem sabe eu encontre meu ego perdido em alguma esquina, com frio, com saudades, esperando que eu o traga aqui para dentro novamente e o aqueça antes do Passado voltar.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Wallflowers
Existem momentos em que você pensa no quão difícil deve ser se tornar uma flor de parede. Passar despercebido e não ser notada por ninguém. Essas que desabrocharn num lindo arranjo de concreto que ninguém vai poder ver ou ao menos sentir a essência.
Talvez existam momentos em que você queira se tornar invisível, mas não quer dizer que quer ser invísivel, sabe? Tornar-se e ser são coisas diferentes. O ser não muda, o ser é essência pura abatida pelos costumes rotineiros. Tornar-se significa mudar, virar aquilo que você não era e - por algum motivo - tem te chamado mais atenção do que os hábitos anteriores.
O que me leva de volta à flor de parede. Uma flor de parede nasceu pra ser flor, mas tornou-se flor de parede. Quero dizer, a natureza não determinou que ela fosse ficar presa no concreto de uma calçada ou uma casa, mas ela está lá, imóvel. Flores de parede não crescem como as flores normais.
As flores normais crescem para serem flores, já as flores de parede crescem pensando em como voltarem a ser o que eram antes: uma flor normal.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Sobre as coisas que eu perdi.
Eu perdi meus óculos. Perdi meu cabelo comprido. Perdi minhas unhas coloridas. Perdi minhas cores. Perdi minha virgindade. Perdi quem mais me amava. Perdi quem eu mais amava. Perdi alguns amigos. Perdi as palavras. Perdi a razão. Perdi a inspiração. Perdi o ânimo. Perdi pra distância. Perdi o coração. Perdi a naturalidade. Perdi minha essência. Perdi minhas músicas favoritas. Perdi meus livros favoritos. Perdi os shows que eu mais queria ver. Perdi os programas de tevê que não reprisam mais. Perdi a minha infância. Perdi um ano inteiro pensando na mesma coisa. Perdi a saliva. Perdi o tato. Perdi o amor. Perdi pro amor. Perdi minhas chances. Perdi meu passado, Perdi minha melhor amiga. Perdi gente que não era tão importante, mas vai fazer falta. Perdi viagens. Perdi o maldito pacote da Oreo. Perdi minhas roupas favoritas. Perdi a cabeça. Perdi meus lenços. Perdi o isqueiro. Perdi o meu aniversário. Perdi meu cabelo preto. Perdi meu aparelho. Perdi meu sorriso. Perdi a fé.
Perdi 2011 e pedi para que 2012 fosse diferente, mas já perdi as esperanças.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Suspiros acordados e a voz do coração lá no fundo do seu peito que não se cala.
Vai saber, quem sabe.
Uma vez me disseram que amor era isso, se importar mais com o outro do que com si mesmo. Amar mais ao outro do que a sim mesmo.
Não.
Portas abertas para deixar o vento entrar em nossos corpos, corpos penetrando em corpos, a lágrima, o suor, desejo, possibilidades perdidas, pessoas achadas, viadutos, estradas sem direção, planejamentos futuros, você.
Não importa se tem amor, não importa se é amor. Nada disso importa.
O que importa é quando estamos juntos e a individualidade some e dá lugar ao que é nosso.
Quando Eu vira Nós, e Você vira Meu.
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