É tudo meio louco né? Assim, não que ser louco seja ruim, mas entende, é legal sim, eu gosto. Tu gosta? Eu percebi desde o começo que eu me sinto meio chapada quando eu tô perto de ti e isso até que é bom. Eu gosto de ficar chapada. Aliás, eu tava chapada na primeira vez que a gente se beijou.
É estranho porque quando eu entrei no teu quarto tinha um cheiro meio estranho, mas não era ruim, sabe? Era cheiro de mudança, sei lá. Toda tua casa era meio estranha, parecia um pouco com a casa que eu sonhei uma vez. Meio bagunçada.
Eu gostei.
O mais estranho é que eu me senti confortável. Por mais que parecesse que a qualquer momento pudesse ter (mais um) assassinato, eu só queria ficar ali, deitada naquele colchão jogado naquele chão sujo do lado de um monte de roupa e toalha pendurada. Dá pra entender?
A casa do barbudo era bem ajeitada, tudo arrumadinho, cheirava bem e tal, mas eu nunca me senti muito confortável, entende? Nunca me senti conectada, era estranho. Parecia que eu não me encaixava.
Eu gostava dele sim, gostava. Mas será que gosto mais de ti? É possível? Porque eu não gosto de quantificar as coisas mas parece que pra tudo fazer sentido na minha cabeça eu tenho que quantificar senão dá errado, entendeu? acho que eu to chapada só de pensar em você. é como se eu te fumasse pouco a pouco e quando eu te beijo eu sinto aquela coisa transcendental que só a cannabis proporciona pra gente sei lá é estranho tá entendendo eu to começando a perder o controle dos meus dedos e é como se as palavras só atravessassem minha mente sem dar oi nem tchau elas só vem e vão e quando eu vejo eu já escrevi tudo aqui e não deleto nada porque eu não quero deletar porque eu não quero perder e o Bob Dylan tá cantando bem fundinho na minha cabeça e eu gosto do Bob assim como eu gosto de ti e gosto do teu colchão da tua bermuda rasgada da tua casa bagunçada e do jeito que você bagunça meu cabelo e fica todo suado e da tua boca brincando com a fumaça como se soltasse todos os espíritos ruins que ficam presos no teu corpo só esperando a hora de explodir pra fora e as tuas pernas torneadas que dão um tom assimétrico pro teu corpo que é de menino assim relaxado que nem eu mas eu não tenho as pernas fortes como as tuas porque eu não faço nada na vida além de ficar aqui sentada desenhando e escrevendo umas bobagens que lá no fundinho perguntam se algum dia tu vai ler ou ver ou ouvir ou continuar aqui esse período todo porque em algum momento tu vai embora entende? em alguma hora tu vai me deixar e vai cansar e vai dizer que eu não sabia fazer nada por mais que hoje em dia você negue e eu vou falar alguma merda e fazer alguma palhaçada que vai te irritar mais ainda e tu vai me queimar com teu cigarro e eu vou olhar pra marquinha e sentir uma puta raiva de ti que vive me machucando mas vou sorrir e dar risada porque não consigo guardar rancor e porque sinto muito mais raiva de mim do que de ti porque eu não consigo guardar rancor teu nem de ninguém e meu deus do céu como eu queria guardar rancor de ti como eu queria te odiar te olhar no fundo dos teus olhos pretos e gritar que tu é sim minha fase ruim que você é um lixo e não vai ser nada na vida mas não dá não dá não dá porque tu é sim tu é feito pra mim e eu não sou feita pra ti porque eu quero te salvar e tu não quer ser salvo e eu quero te entender mas tu não quer ser entendido e eu quero te olhar mas tu vira o rosto e me chapa e me consome neurônio por neurônio até eu ficar louca desvairada vagando pelas esquinas procurando por você olhando pros ônibus amarelos e me perguntando se eles passam na sua rua me perguntando se se eu entrar num deles vou te encontrar perdido andando por algum beco da zona leste fumando um cigarro ou pedindo dinheiro no farol porque tu é assim né? tu é assim e eu sei que você é mas eu não consigo deixar de pensar em como eu queria me moldar pra tu me aceitar de uma vez por todas na sua vida no seu coração e nessa merda de colchão jogado no chão sujo dessa casa bagunçada que parece tanto com a minha cabeça.
O gosto do estrago
segunda-feira, 29 de abril de 2013
terça-feira, 9 de abril de 2013
Explosão cinematográfica
eu queria fazer um filme. um filme de cada pedaço da vida. queria que minhas íris fossem lentes de 18:315mm prontas pra captar qualquer imagem, qualquer cena, qualquer distúrbio descontínuo na paisagem. um filme meu e teu. um filme teu soltando fumaça. um filme de quando o sol vai dando tchau e o céu fica rosa. um filme de quando os estranhos olham pra gente na rua e sorriem. um filme da noite paulistana boêmia. dos jovens perdidos. dos adultos se achando. um filme dos casais estranhos prepotentes com seus narizes empinados. um filme das meninas prontas pra celebrarem sua vida amorosa de merda. um filme de merda. por que não? merda, merda e mais merda. um filme do caos. do tesão. do desejo de ser alguém diferente. um filme dos anseios de uma vida perdida. um filme de esperança desperdiçada, de fé derramada sobre as cabeças de quem menos quer enxergar. um filme dos que não se sentem conectados com o mundo. um filme dos aprendizes a alguma coisa. perdidos. loucos. jovens. pessoas. um filme da chuva batendo no asfalto. da puta barata chorando num bar qualquer. a maquiagem borrada. o batom vermelho. um filme do sexo sem compromisso. do compromisso sem sexo. dos recém-casais. dos ex-namorados. dos encontros carnais. dos desencontros de alma. a troca de fluídos, cheiros, porra, suor, gemidos. de paredes arranhadas. muros rabiscados. um filme que captasse os cheiros. o cheiro de mato. cheiro de poluição. cheiro de rio. cheiro de alma fétida. decomposição. cheiro do que foi e não vai mais voltar a ser. cheiro de bueiros. moradia dos bestas. um filme que traduzisse nossos corpos. que te prendesse em mim. te prendesse em ti. te fizesse enxergar a tu mesmo como tu é e não como eles acham. um filme pra ser exibido numa tela gigante no céu. um retroprojetor de proporções infinitas. com mil olhos vendo tudo. mil almas se enxergando. como câmeras escondidas atrás de cada célula do nosso corpo. pra fazer com que eu, você, a criancinha da fileira da frente com os olhos atentos, a velha da terceira fileira entediada, o advogado atrasado, a artista esperançosa, meus pais, teus pais, os bebês, os velhos, os ricos, os pobres, os carentes de atenção, os sufocados pelo sistema, pra fazer todos esses virarem um só. uma pessoa só. numa tela só. no céu.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Mas por que ora pois veja bem
Talvez não fizesse sentido mesmo. Ou eu que não sabia explicar muito bem.
Entenda, pequena, as coisas já perderam sua essência faz tempo e não adianta ficar insistindo em algo que, certamente, não vai pra frente. Entende?
Eu me lembro de te ver tatear pelo quarto, com teu vestido. Eu que te dei ele, foi? Não me lembro. Não me lembro de mais nada e não sei se seria do meu feitio lembrar. É?
A tua pequenez fez com que minhas células atrofiassem, mas espera, não quero parecer grosso. É bom, é bom. Eu só queria fazer você caber sem esforço aqui dentro, sem se perder. Talvez nem disso eu lembre, se era muito pequena ou se era muito grande...
A tua grandeza fez com que eu me esticasse todo por ti. Assim fica melhor? Acho que era disso que as pessoas na rua riam tanto. Olhavam, apontavam. Como poderia uma mulher daquele porte com esse senhorzinho. Como poderia?
Mas veja bem, você está conseguindo compreender? Eu sei que quero chegar em algum lugar, só não sei que lugar é esse. Ah, pequena-grande, eu não faço ideia de onde eu vou ou quero chegar. Mas tu me acompanha?
Não.
Não sei, menina. Não sei o que fez você correr e talvez nem você saiba. Só sei que outro dia eu estava lendo meu antigo caderno de anotações do outono passado e te vi lá. De um jeito bem piegas, sem vírgulas, sem nada.
anoiteceu e as coisas ficaram mais frias desde então a culpa é da noite ou do vazio que tu deixastes aqui logo após partir? ei moça olha pra mim eu estou aqui ainda não me deixa assim olha só que eu não sei rimar e tenho toda essa pose de velho elegante formado em Paris mas as coisas não são bem assim do teu lado eu sou ninguém do teu lado eu sou de ninguém eu sou seu mas você vive sumindo e se tu não existisse eu não sei de quem eu seria.
Lembra de como eu pigarreava e colocava a culpa no cigarro? Pobre cigarro, levava a culpa inocentemente. A culpa é dessa minha faringe que já não aguenta mais viver. Pois bem, a minha faringe é um ser vivo separado do meu corpo, certo? Assim como meu pulmão, meu fêmur, rim, epiglote. E coração? Não é teu, nem meu, nem deles. E quem são eles afinal? Pra quem é que a gente grita tanto, louva tanto. Pra quem foi que tu correu? Louca, desvairada, cansada do mundo. Tira as mãos de mim, você não me pertence, eu estou sozinha nesse mundo e não é você nem ninguém que vai mudar isso. Mas, pequena, não fala assim que eu fico sem o que te falar, eu não sou bom com palavras, eu não sou bom em nada, eu só sou bom em ser bom pra ti.
Correu.
Pra longe de mim (ou de si mesma?). Correu forte, ventania, cabelos brincando com a gravidade, boca pálida, vestido brigando com os ventos. Ah, vestido. Foi o que eu te dei? Foi. É. Estranho como tu fica mais linda ainda longe de mim. Correndo de mim. Se libertando de mim.
E será que cheguei em algum lugar? Será que tu chegastes? Deve ter chegado na fronteira de alguma cidade, estado, país, galáxia. Deve estar exibindo a tua silhueta pra outros povos, em outros mundos, outras cores, outros ares.
Tu.
Dançando em outros corpos com o vestido bordado que te dei.
Que eu mandei fazer, pra ti.
Pra te ter, em mim.
Pra ficar, assim.
Sem sentido nenhum. Me sentindo ninguém.
Cada vez maior pra ti. Cada vez menor em mim.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Das coisas que eu não entendo
Não, eu nunca entendi por que preferia o lado esquerdo do que o direito. Nunca entendi por que nunca gostei de bala de iogurte. Nunca entendi por que meu braço se estica tanto e as pessoas me olham torto quando isso acontece. Nunca entendi por que um pulmão é menor do o outro. Nunca entendi por que passei um mês no hospital. Nunca entendi por que todo mundo podia sair no frio e eu não. Nunca entendi por que eu e minha irmã temos o mesmo nome. Nunca entendi pra quê serve o capuz da jaqueta (seria pra cobrir o cabelo?). Nunca entendi por que as pessoas preferem bandas ruins. Nunca entendi por que tô nesse corpo e não no outro. Nunca entendi por que a gente dorme quando tá escuro e acorda quanto tá claro. Nunca entendi por que o Sol é a única estrela que a gente não vê de noite. Nunca entendi por que existe tv aberta e tv à cabo. Nunca entendi por que não consigo dar oi pras pessoas. Nunca entendi por que tenho um olho mais claro do que o outro. Nunca entendi por que tive que fazer aquela biópsia aos três anos. Nunca entendi por que perder a virgindade é uma coisa tão importante. Nunca entendi por que a gente mente pra encobrir verdades. Nunca entendi por que algumas coisas são mais caras que as outras. Nunca entendi por que nossos corpos são diferentes. Nunca entendi por que meu pai desmaiou. Nunca entendi por que minha avó não gosta de mim. Nunca entendi por que meu médico favorito foi demitido. Nunca entendi por que tiram sarro quando digo que gosto de filmes franceses. Nunca entendi por que a gente ama. Nunca entendi por que você demorava tanto tempo pra gozar. Nunca entendi por que me apertavam forte. Nunca entendi por que me chamavam pra'quelas merdas de festa. Nunca entendi a chuva ácida. Nunca entendi a minha professora de história da quinta série. Nunca entendi por que as pessoas tem tanto medo da morte. Nunca entendi por que algumas pessoas sentem adrenalina e outras não. Nunca entendi por que as pessoas se definem em sexo. Nunca entendi por que eu sempre desisto de tudo. Nunca entendi por que eu nunca termino nada.
Nunca entendi por que nunca entendo as coisas.
Nunca entendi por que nunca entendo as coisas.
domingo, 22 de julho de 2012
Niilismo, cinismo e cansaço
Sabe, cara, sei lá. Eu simplesmente cansei, sabe? E as pessoas fazem o maior problema com isso, e qual o problema, afinal? Eu só tô cansado, cara. Cansado de palavras e mentes vazias e de ter que me explicar em cada ocasião. Eu odeio as ocasiões, dá pra entender? Não suporto. Eu não nasci pra participar delas e tampouco para gostar.
Eu cansei de ser chamado de louco viciado, eu tentava ser muito mais do que isso e não dava, o que eu posso fazer? Eu tentei, cara. Eu ainda tento de vez em quando, mas sem nenhuma esperança. Eu só aponto e saio remando, pra chegar a lugar nenhum, essa é a verdade. Eu cansei de chegar a lugar nenhum e me encontrar as mesmas pessoas perdidas. De perdido basta eu. Eu cansei do mesmo ar, das mesmas caras, das mesmas esquinas, mesmas bancas de jornal, mesmas faixas de pedestre, mesma mão compartilhada, mesmo rodapé de parede, cansei.
Eu me sinto nada por dentro e por fora. Minha aparência tá horrível, desgastada, as pessoas me olham e acham que sou demônio só pelo jeito que eu olho pra elas. Mas eu não faço por mal, você devia me entender, eu não gosto de assustar. Eu quero é ser compreendido, mas ninguém aqui tá nem aí pros meus problemas, não vamos falar de compreensão blá blá blá. To cansado do blá blá blá sem ação, to cansado. To cansado de estar cansado e não achar um mísero poste de luz que funcione pra me agarrar, sabe? Estabilidade, apoio, conforto, qualquer merda que venda numa livraria, qualquer. Não tem nada nem pra me ajudar, me disseram de uns tais remédios, mas o que eu quero não pode ser comprado na porra de uma drogaria, dá pra entender?
Já tentei auto ajuda e aquela porra não funcionou, eu cansei de tentar correr atrás dos meu objetivos. Pra falar a verdade, eu nunca os tive, e se tive já me esqueci. Eu vivo esquecendo o que não é importante, daquilo lá já não sei de mais nada, vamos continuar por favor? Onde eu estava? Ah, cansado. As pessoas nem sequer me olham quando falam comigo, onde já se viu? As pessoas desse mundo não sabem mais pra que os olhos foram feitos. Elas acham que tão aí encrunhados na sua cara só pra você ver o preço das coisas, mas não é! É pra você olhar pro sentimento do outro, olho é feito pra conectar com o outro e só isso.
Vi muita gente se perder, disso eu não me esqueço. Gente que eu achava que era pra sempre e se tornou só mais um desperdício na minha mente, não sei porque ainda os guardo aqui, mas não é como se desse pra tirar da minha cabeça. Eu sinto falta, sabe? Falta de ser vivo. De viver e das pessoas se importarem se eu estava vivendo bem ou não. Cara, como eu sinto falta do outono. Aqueles bares, a rua de noite, a chuva passageira, eu sinto, mas só sinto. Agora o que eu sinto é pena deles, dessas memórias, eu não sei o que fazer com elas ou com eles. Não são pessoas, são animais. Eles sugam, sabe? Minha essência, minha vitalidade, minha juventude, sugaram tudo e não deixaram nada nem pra eu me afogar um pouquinho.
O que eu quero? Eu quero a eternidade. Eu sei, eu sei que pareço um maluco sociopata de primeira categoria, mas eu queria era me perder de um jeito bom, entende? Me perder pra me encontrar, mesmo se for pra me encontrar perdido. Eu quero alguém por quem morrer, e outro alguém pra me fazer querer viver.
Eu quero uma mão qualquer, um dedo, um anel, uma unha, qualquer coisa. Eu quero alguém, cara.
Eu quero parar de me cansar.
sábado, 7 de julho de 2012
Porra, Zaz
Como eu te trago pra perto de mim? Cada vez que eu te puxo você se afasta mais e mais e mais. Eu sei que as coisas com o teu coração não andam bem e que tem milhares de pensamentos explodindo na sua cabeça a cada segundo, mas você pelo menos pensou em como eu estou? Eu não entendo e talvez nunca vá entender o que se passa contigo e isso me irrita, Zaz. Entende? Eu quero te explorar, eu quero entrar na tua pele, nos teus átomos, em cada espaço vazio dentro do teu corpo e borbulhar dentro ti. Zaz, eu quero você em mim. Eu quero você pra mim.
Não vira o rosto, eu tô falando. Será que você não consegue me ouvir? Por que você faz isso? Te dá tesão?Te deixa molhada? Eu preciso saber, Zaz. Eu quero saber. Me conta da tua vida, chora no meu ombro, ri das minhas piadas, compartilha teu sorriso comigo. Não é pra ser tão difícil, meu Deus, eu não quero que seja assim. Eu só quero ser feliz, atirar num ponto e seguir em frente. Quero que você seja meu ponto. Ponto de lucidez, de paz, de fé. Eu só quero alguém pra me desperdiçar, me jogar, fingir que não vai dar tudo errado no final.
Vem pra perto, Zaz. Eu não aguento mais você tão longe. O que eu te fiz? Eu sei que sou desinteressante, mas eu não posso mudar, eu não quero mudar. Caralho. Eu sou horrível e só quero me apoiar e deitar minha cabeça no colo de alguém que vá me dizer que eu não sou tão ruim assim.
Zaz, eu só quero te puxar pra perto, perto o bastante pra sentir o teu cheiro. Não quero ter que te ver indo embora de novo, que nem você sempre faz assim que eu abro os olhos de manhã. Eu só quero alguém. Eu preciso de alguém. Eu quero que esse alguém seja você.
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Véspera
Tenho procurado pela nossa máquina do tempo. Algo que nos traga de volta ao lugar que jamais devíamos ter saído.
Algo que restaure o que nós éramos e limpe tudo o que tem dentro de ti.
Mas tempo é relativo.
Eu sinto tua falta, você não imagina o quanto.
Eu sinto tua falta, do que tu era antes. Do que tu não parece mais querer retomar.
Eu sinto falta do que nós éramos, quando não havia problemas e só curas.
Eu tenho saudades de quando nosso remédio não era o próprio veneno.
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