segunda-feira, 30 de julho de 2012

Das coisas que eu não entendo

Não, eu nunca entendi por que preferia o lado esquerdo do que o direito. Nunca entendi por que nunca gostei de bala de iogurte. Nunca entendi por que meu braço se estica tanto e as pessoas me olham torto quando isso acontece. Nunca entendi por que um pulmão é menor do o outro. Nunca entendi por que passei um mês no hospital. Nunca entendi por que todo mundo podia sair no frio e eu não. Nunca entendi por que eu e minha irmã temos o mesmo nome. Nunca entendi pra quê serve o capuz da jaqueta (seria pra cobrir o cabelo?). Nunca entendi por que as pessoas preferem bandas ruins. Nunca entendi por que tô nesse corpo e não no outro. Nunca entendi por que a gente dorme quando tá escuro e acorda quanto tá claro. Nunca entendi por que o Sol é a única estrela que a gente não vê de noite. Nunca entendi por que existe tv aberta e tv à cabo. Nunca entendi por que não consigo dar oi pras pessoas. Nunca entendi por que tenho um olho mais claro do que o outro. Nunca entendi por que tive que fazer aquela biópsia aos três anos. Nunca entendi por que perder a virgindade é uma coisa tão importante. Nunca entendi por que a gente mente pra encobrir verdades. Nunca entendi por que algumas coisas são mais caras que as outras. Nunca entendi por que nossos corpos são diferentes. Nunca entendi por que meu pai desmaiou. Nunca entendi por que minha avó não gosta de mim. Nunca entendi por que meu médico favorito foi demitido. Nunca entendi por que tiram sarro quando digo que gosto de filmes franceses. Nunca entendi por que a gente ama. Nunca entendi por que você demorava tanto tempo pra gozar. Nunca entendi por que me apertavam forte. Nunca entendi por que me chamavam pra'quelas merdas de festa. Nunca entendi a chuva ácida. Nunca entendi a minha professora de história da quinta série. Nunca entendi por que as pessoas tem tanto medo da morte. Nunca entendi por que algumas pessoas sentem adrenalina e outras não. Nunca entendi por que as pessoas se definem em sexo. Nunca entendi por que eu sempre desisto de tudo. Nunca entendi por que eu nunca termino nada.
Nunca entendi por que nunca entendo as coisas.

domingo, 22 de julho de 2012

Niilismo, cinismo e cansaço


Sabe, cara, sei lá. Eu simplesmente cansei, sabe? E as pessoas fazem o maior problema com isso, e qual o problema, afinal? Eu só tô cansado, cara. Cansado de palavras e mentes vazias e de ter que me explicar em cada ocasião. Eu odeio as ocasiões, dá pra entender? Não suporto. Eu não nasci pra participar delas e tampouco para gostar. 

Eu cansei de ser chamado de louco viciado, eu tentava ser muito mais do que isso e não dava, o que eu posso fazer? Eu tentei, cara. Eu ainda tento de vez em quando, mas sem nenhuma esperança. Eu só aponto e saio remando, pra chegar a lugar nenhum, essa é a verdade. Eu cansei de chegar a lugar nenhum e me encontrar as mesmas pessoas perdidas. De perdido basta eu. Eu cansei do mesmo ar, das mesmas caras, das mesmas esquinas, mesmas bancas de jornal, mesmas faixas de pedestre, mesma mão compartilhada, mesmo rodapé de parede, cansei.

Eu me sinto nada por dentro e por fora. Minha aparência tá horrível, desgastada, as pessoas me olham e acham que sou demônio só pelo jeito que eu olho pra elas. Mas eu não faço por mal, você devia me entender, eu não gosto de assustar. Eu quero é ser compreendido, mas ninguém aqui tá nem aí pros meus problemas, não vamos falar de compreensão blá blá blá. To cansado do blá blá blá sem ação, to cansado. To cansado de estar cansado e não achar um mísero poste de luz que funcione pra me agarrar, sabe? Estabilidade, apoio, conforto, qualquer merda que venda numa livraria, qualquer. Não tem nada nem pra me ajudar, me disseram de uns tais remédios, mas o que eu quero não pode ser comprado na porra de uma drogaria, dá pra entender?

Já tentei auto ajuda e aquela porra não funcionou, eu cansei de tentar correr atrás dos meu objetivos. Pra falar a verdade, eu nunca os tive, e se tive já me esqueci. Eu vivo esquecendo o que não é importante, daquilo lá já não sei de mais nada, vamos continuar por favor? Onde eu estava? Ah, cansado. As pessoas nem sequer me olham quando falam comigo, onde já se viu? As pessoas desse mundo não sabem mais pra que os olhos foram feitos. Elas acham que tão aí encrunhados na sua cara só pra você ver o preço das coisas, mas não é! É pra você olhar pro sentimento do outro, olho é feito pra conectar com o outro e só isso. 

Vi muita gente se perder, disso eu não me esqueço. Gente que eu achava que era pra sempre e se tornou só mais um desperdício na minha mente, não sei porque ainda os guardo aqui, mas não é como se desse pra tirar da minha cabeça. Eu sinto falta, sabe? Falta de ser vivo. De viver e das pessoas se importarem se eu estava vivendo bem ou não. Cara, como eu sinto falta do outono. Aqueles bares, a rua de noite, a chuva passageira, eu sinto, mas só sinto. Agora o que eu sinto é pena deles, dessas memórias, eu não sei o que fazer com elas ou com eles. Não são pessoas, são animais. Eles sugam, sabe? Minha essência, minha vitalidade, minha juventude, sugaram tudo e não deixaram nada nem pra eu me afogar um pouquinho. 

O que eu quero? Eu quero a eternidade. Eu sei, eu sei que pareço um maluco sociopata de primeira categoria, mas eu queria era me perder de um jeito bom, entende? Me perder pra me encontrar, mesmo se for pra me encontrar perdido. Eu quero alguém por quem morrer, e outro alguém pra me fazer querer viver. 
Eu quero uma mão qualquer, um dedo, um anel, uma unha, qualquer coisa. Eu quero alguém, cara.
Eu quero parar de me cansar.

sábado, 7 de julho de 2012

Porra, Zaz


Como eu te trago pra perto de mim? Cada vez que eu te puxo você se afasta mais e mais e mais. Eu sei que as coisas com o teu coração não andam bem e que tem milhares de pensamentos explodindo na sua cabeça a cada segundo, mas você pelo menos pensou em como eu estou? Eu não entendo e talvez nunca vá entender o que se passa contigo e isso me irrita, Zaz. Entende? Eu quero te explorar, eu quero entrar na tua pele, nos teus átomos, em cada espaço vazio dentro do teu corpo e borbulhar dentro ti. Zaz, eu quero você em mim. Eu quero você pra mim.

Não vira o rosto, eu tô falando. Será que você não consegue me ouvir? Por que você faz isso? Te dá tesão?Te deixa molhada? Eu preciso saber, Zaz. Eu quero saber. Me conta da tua vida, chora no meu ombro, ri das minhas piadas, compartilha teu sorriso comigo. Não é pra ser tão difícil, meu Deus, eu não quero que seja assim. Eu só quero ser feliz, atirar num ponto e seguir em frente. Quero que você seja meu ponto. Ponto de lucidez, de paz, de fé. Eu só quero alguém pra me desperdiçar, me jogar, fingir que não vai dar tudo errado no final.

Vem pra perto, Zaz. Eu não aguento mais você tão longe. O que eu te fiz? Eu sei que sou desinteressante, mas eu não posso mudar, eu não quero mudar. Caralho. Eu sou horrível e só quero me apoiar e deitar minha cabeça no colo de alguém que vá me dizer que eu não sou tão ruim assim.  

Zaz, eu só quero te puxar pra perto, perto o bastante pra sentir o teu cheiro. Não quero ter que te ver indo embora de novo, que nem você sempre faz assim que eu abro os olhos de manhã. Eu só quero alguém. Eu preciso de alguém. Eu quero que esse alguém seja você.