terça-feira, 29 de novembro de 2011

29

sob o pretexto de não se apegar
nós agimos feito loucos
sob o receio de amar
nós nos machucamos aos poucos

domingo, 27 de novembro de 2011

Um.

Olha, não sei bem porque eu estou escrevendo isso, sabe. Você não tem merecido mais nada que vem de mim, mas talvez eu queira deixar cravado em pelo menos alguma parte do seu corpo (por mais que seja só o cérebro) o fato de tudo isso ter feito um ano já.

Será que você se lembra de como tudo era maravilhoso há um ano? De como era tudo muito puro e muito juvenil? Você se lembra de como era não ter preocupações com nada além da quantidade de cervejas que a gente deveria comprar pra abastecer aqueles bêbados loucos?

Faz um ano que a gente cresceu, amadureceu, se perdeu, se encontrou, se perdeu de novo. Tudo isso que a gente viveu passou tão rápido que agora completa anos, e não mais meses, dá pra entender?

Foi justamente hoje que eu percebi - e espero que você perceba o mesmo - que não adianta ficarmos sofrendo um pelo outro. Não porque não vale a pena, tu vale a pena e eu sei que eu valho a pena pra ti, mas sim porque não faz sentindo substituir uma coisa tão bonita quanto tudo aquilo que nós vivemos por uma lembrança horrível. Eu disse desde o começo que não queria que você se lembrasse de mim de um jeito feio, que eu queria congelar os momentos na sua memória para que quando eles terminassem você ainda se lembrasse com carinhos deles. Você ainda se lembra?

Olha, não vou mais te pedir nada, e talvez depois de um ano já seja hora de parar de escrever pra ti, mas eu quero que tu saibas que talvez eu ainda tenha algum tipo de nojo de você, mas é coisa besta e talvez daqui há um ano isso passe. E por mais que a gente tenha se distanciado, fingindo que o outro não existe mais, eu quero que você saiba que tem um espaço muito especial guardado na minha memória, eu não sei se o mesmo acontece contigo, mas isso não importo. Eu não desejo nada de ruim pra ti, você sabe disso. Eu quero tanto tanto tanto que tu seja feliz, cara, sozinho ou acompanhado, não importa. Eu quero que você voe, que você alcance esses lugares inimagináveis que a sociedade nunca conseguiu tocar os pés, sabe? Você consegue, você é iluminado e eu já te disse isso mil vezes.

Então, feliz ou triste um ano. Faz teu show e não se deixa abalar por meninas como eu, por que meninas assim vão entrar e sair da sua vida, eu só espero que tenha deixado alguma marca.
Adeus?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Acaso do erro?

Eu te observava de longe e você não me via, quer dizer, eu imaginava que não me via. Eu reparei dentro dos seus olhos, dentro da sua alma, dentro do seu copo, dentro do seu corpo. Eu olhei praquelas covinhas ridículas que apareciam na sua bochecha quando você dava risada de algo mais ridículo ainda. Eu te observei observar as taças. Eu te observei observar as camas. Eu te observei observar os quadros.

Você estava lá fazendo o seu show e eu era uma mera figura da platéia, sabe, nada demais. Você tava feliz, cara, você tava. As malditas covinhas não saíam de você.

Você era feliz mesmo não me tendo, mesmo que eu tenha sido rude, mesmo que eu tenha falado coisas pesadas no seu ouvido. Você era feliz sem mim. E eu me observei observando o seu sorriso amarelo que gritava pra quem quisesse ouvir a tal da palavrinha que eu tanto esperei ouvir: s u p e r a ç ã o. Assim mesmo, com todas as letras. Você tinha me superado, até mesmo me esquecido, quem sabe.

Meu coração fragilizava a cada batida dos pratos, e eu em prantos. Era seu aquilo, entende? Era seu, e nada nem ninguém podia tirar o que era seu por lei. Agora era você quem me observava, com um olhar pesado, não rude, só pesado. Como quem mostra pro outro que está bem, e está bem mesmo que a pessoa tenha tentado deixá-lo mal.
Você estava bem.

Você estava bem melhor sem mim.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Novembro?

Eu cansei de correr atrás da vida que eu merecia ter. Estou exausta, ofegante, suada, surrada. Cansei de apanhar em cada curva, de me curvar para ver as pessoas que me puxam para baixo. Olho para trás e vejo as pessoas que eu perdi só porque insisti em correr.

Eu não aguento mais sair impune de um erro que eu cometi. Erro, engano, crime, tanto faz. Não faz sentido eu não sentir nada e você sentir tudo. Não faz sentido eu não sentir o que eu sentia antes.
Eu sinto muito pelo que eu venho me tornando.
Eu sinto muito pelo que nós fomos.
Eu sinto muito por você.

domingo, 20 de novembro de 2011

E não querer te ver triste implica em me fazer triste.

Triste é viver só de solidão

Uma vez tu pegou minha mão e me disse que as digitais não saem da vida de quem tocamos. Eu me lembro que foi um dos únicos momento da minha vida que eu não tinha o que dizer.
Tu me abraçou e foi embora cantando algum verso dessas bandas argentinas que tanto gostava.

Daquele dia em diante minhas noites nunca mais foram as mesmas.
Aqueles dias eram quentes e tinham muito contraste. Era notória a mudança no tom da minha vida, qualquer um poderia ver.
Eu acordava e dormia com o mesmo gosto na boca. Não, não era amargo. Era doce e me doía não poder compartilhá-lo contigo.

Eu me sentia assim, sugada até a última gota. Materializada em bens tão minúsculos que me sufocavam. Me via dentro de caixas de fósforos, discos usados, maços de cigarro e camas vazia, muitas vezes. Eu me via dentro de tudo aquilo e me sentia horrível por saber que não ocupava o lugar mais importante, que era teu coração.
Me senti impotente, enquanto eu banhava minha alma diariamente com o teu corpo, tu vinha me dizer que nossa essência estava acabando e que era hora de mudarmos.
E mudar pra quê?
Pra quê tirar nossas digitais da vida, do corpo, da boca, do copo, da cama um do outro?

Você silenciou e a resposta chegou através do tempo: nós havíamos nos perdido, e até cegos conseguiam ver os restos deixados por eu e você.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Pr.a que.m tem.e

um turbilhão de estrelas
cobrem o chão do nosso luar
escapando dos vestígios
e enganando o nosso medo de amar