Pensei em te ligar hoje só pra dizer que tô com saudades, mas eu me senti ridícula um tempo depois e coloquei o fone de volta no gancho. Te ligar pra dizer que tenho cometido muitas besteiras e me arrependido de todas elas, e ver essa tua insatisfação comigo tem cansado meus olhos. Iria dizer que tu gosta de sofrer por coisa boba, e não vale a pena sofrer por minha causa, entende? Não sei nem se você tá sofrendo de verdade, talvez seja coisa da minha imaginação. Você pode estar mais alegre sem mim, feliz fingido, vai saber.
Iria te ligar só pra dizer que constantemente tenho comparado os outros cheiros ao teu e nenhum deles chega nem perto. Passa longe, menino, passa longe. Pra dizer que tu não caiu no esquecimento ainda, e tudo que eu falei naquele dia lá ainda é válido. E tudo que eu escrevi e ainda escrevo pra ti ainda faz sentido. Sempre vai fazer. As vezes menos, as vezes mais.
Tá, eu sei que isso aqui tá bem qualquer-coisa, mas eu sei que tu vai ler, porque tu não cansa de saber as coisas que eu penso de ti. Dói? Só me diz se dói.
Vou te ligar algum dia pra perguntar se dói tanto em ti quanto dói em mim. Porque dor é um bom sinal. É sinal de que nós ainda estamos vivos um dentro do outro.
E me afastar só mostra que tá difícil, porque se fosse fácil eu me aproximaria e fingiria que tu é só mais um, mas não é assim que as coisas têm funcionado.
Sei lá, tá tudo estranho. E eu tenho me sentido tão descarada. Só falta eu escrever teu nome nisso aqui e colocar uma foto nossa.
Relaxa, eu não vou fazer isso.
Eu tenho mentido pra caralho ultimamente, e queria que tu estivesse aqui pra tampar minha boca de alguma forma, me proibir de criar essas ilusões pros outros. O meu ''tô bem'' de todo dia é a pior mentira que eu posso contar. Surgem as mentirinhas eventuais de todo dia também, aquelas eu conto quando arranjo - com muito esforço - a coragem de ir falar contigo.
Já disse que tá tudo estranho? Tô seca. Sem esperança nem fé em nada. Nadinha. Tenho vivido, sabe? Vivido por viver. Sobreviver. Sobre viver. Olha só, sobre viver, viver sobre a vida. Passar descarado, despercebido pela vida. Tô assim. Tô enchendo só essa porra aqui com um monte de palavra que agora eu já nem tenho mais tanta certeza se você vai ler, ou sei vai chegar na terceira linha e pensar que é tudo baboseira minha. E é. Esse é o pior de tudo.
Ah, cansei de gastar meus dedos nisso daqui. Me desculpa me desculpa me desculpa. Poderia encher uma ligação só de desculpas, uma linha telefônica inteira recheada só de perdões, desculpas e apelos pra que você voltasse a ser o que era antes. Seguido, talvez, de uma promessa boba onde eu diria que ''tudo vai ficar bem, meu amor''. Mas é mentira. Tá um lixo, e a tendência é piorar. Não sei quanto a ti, mas quanto a mim, as coisas nunca estiveram tão escrotas. Acho essa palavra muito feia pra ser colocada aqui, mas são 02:00 da manhã e eu não achei nenhuma melhor.
Queria tua presença aqui no meu quarto agora, nem que fosse só pra jogar conversa fora. Aí surge de novo a vontade de te ligar, mesmo sabendo que talvez você não fosse me atender. Não existe razão pra me atender, é só uma ligação, é só a voz de uma menina idiota dizendo coisas que tu não vai querer ouvir.
Tenho milhares de coisas pra te contar, mas já vou dizendo que caso tu queira saber, tu vai ter que vir falar comigo pessoalmente. Esse tipo de coisa não dá pra ser contada a longa distância. Mas não se preocupa, não é nada importante. É mais uma desculpa pra que tu venha me ver.
E outro dia eu fiquei tão brava contigo que tentei te arrancar a força daqui de dentro, mas não deu certo (dá pra ver). É esquisito pensar no tal do ''seguir em frente''. A prática é muito pior do que a teoria, mas eu inventei a desculpa de que se for pra ser.. será. E eu sei que isso parece uma daquelas frases bobas que tem nessas músicas que tocam nas rádios nacionais. Mas, talvez seja bem assim mesmo que as coisas funcionam. Talvez seja assim que o mundo gira.
O desconforto tá gritando aqui dentro, porque meu corpo tá sentindo falta do seu. No sentido literal mesmo. Principalmente ultimamente, quando faz frio, e eu tenho que me submeter a pensar em como seria melhor me esquentar com um abraço teu do que com um cobertor sujo.
Prometo parar de escrever. Parei já. Só tem uma última coisa que eu preciso dizer pra poder finalizar essa merda aqui que eu ainda estou em dúvida se devo apertar o ''publicar postagem'' ou não.
Enfim, me desculpa pelas vezes em que eu realmente estou fora de mim e não meço minhas palavras em relação a ti.
Mas ó, eu espero que o nosso açúcar não acabe tão cedo, por mais que eu saiba que - eventualmente - ele vai se esgotar.