sábado, 31 de outubro de 2009

Flutuando.


Invejo aquelas pessoas que cuidam da vida sozinhas, aquela maldita independência que nunca chega para mim. Aliás, independência não existe. Somos total e completamente dependentes um dos outros. Nunca conseguiriamos viver um ano, pelados, jogados no meio do mato. Sem comida. Sem bebidas. Sem amigos. Sem família, sem qualquer tipo de contato social. Quero dizer, até um balão precisa do vento para se mover.

Cadê o chão, meu bem?


E então você vai embora. Como quem não quer nada. Como quem não liga para esses 10 minutos de conversa barata. Malditos 10 minutos. O seu andar despreocupado pisando calorosamente sobre os cascalhos no chão. Ah, deves dar mais atenção para o cascalho do que pra mim. Mais atenção para seus tênis velho marchando sincronizadamente do que para mim. Estou parada, chocada sem saber o que fazer. Devo correr? Devo gritar? Não sei, não tenho força para gritar, imagine para correr. Não sou, e nunca fui boa o bastante para escutar tais palavras sussurradas ao meu ouvido. Que ao lembrar agora, parecem arremessadas do que simplesmente sussurradas. Me sinto horrível. Suja. Muito suja. Não sei o que é pior, lembrar disso, ou saber que estou escrevendo textos melancólicos em frente ao computador, enquanto você está por aí, sugando a vida de outra pessoa.
''It was a new beggining, a whole new life.''