sábado, 30 de julho de 2011

Let's play pretend.


Enquanto um surto de asfixia não toma conta de mim, eu continuo em pé.
''Se distrai, para de pensar nisso, você só vai ficar pior!''
Eu já cansei de ouvir o que vocês têm a dizer. Quem eu quero não está aqui pra me ouvir. Não de corpo. Alma sempre.

Mas está tudo bem. Eu ainda estou de pé dentro dessa fantasia horrível que eu venho usando, pois vai que assim meu teatro fica completo. Tem muita gente pra assistir, mas ninguém pra aplaudir no final de cada ato. Final mesmo? Eu nem cheguei lá ainda.
Tem muita coisa que ainda não foi escrita.
Tem muita coisa que ainda não foi dita.
Tem muita cena que ainda não foi ensaiada.

(Tem pouco você pro muito de mim)

terça-feira, 26 de julho de 2011

Retórico


Tiquetaqueando por aí me encontro em uma pilha onde sei que não deveria estar.
Perdida entre borrões de tinta que devem ter feito sentido algum dia para alguém, encontro alguns bilhetes perdidos e avisos como ''Você deveria ter corrido antes que a bomba explodisse em seus pés'' ou ''Eu te avisei''.

Mais uma vez chega a dor que já deixou de ser psicológica faz tempo, e assombra cada metro quadrado do que ainda é pele, músculo, célula.
Sorrio, como se fosse meu remédio. Sorrio como se fosse minha máscara para a dor.

Olho ao meu redor e posso ver o vento entrando pelas cortinas enquanto percebo que a festa que estava acontecendo aqui já acabou faz tempo.
Talvez eu quisesse mais tempo. Precisasse de mais tempo.
Só pra perceber que tudo o que eu precisava já estava aqui há muito tempo e não faz sentido ir embora assim pela saída de emergência.
Eu só queria mais tempo.
Eu, mais uma vez, só.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Eu mereço


Não sinto tua falta.
Não sinto nada. Tá tudo normal, tá tudo bem.
Não sinto falta dos teus olhos azuis-verdes me olhando. Não sinto falta da tua mão na minha. Não sinto falta da tua boca.
Não sinto falta da tua presença ao meu lado. Não sinto falta do teu cheiro.
Não choro.
Não chorei ainda.
Não tenho vontade chorar.
Tá tudo bem. Bem não, ótimo. Melhor impossível.

Porque hoje é meu aniversário e eu quis me dar algumas mentiras de presente.

domingo, 17 de julho de 2011

Tudo por você


Tudo perdeu o sentido. Tudo.
As canções de amor, os textos daqueles poetas abobados. Tudo.
Sair, me arrumar, passar perfume, (tentar) ficar bonita, tudo isso virou um desperdício.

É como se tivessem desligado o interruptor e me deixaram sozinha no escuro.
Não tem ninguém pra mim. Não mais.

A cidade tá alarmando e a sua mão continua longe demais.
Tá tudo errado.
Tá uma merda e respirar já virou um sacrifício.