Venho te observando de longe e você nem me vê, e se vê, não liga. Te olho, fixa em ti, escavo o teu muro de concreto para enxergar melhor e me perco dentro da sua complexidade (forçada ou não). Quem diria, o abismo dentro de ti realmente existe e eu sempre duvidei.
Agora você me olha sem-graça, estático, como quem acabou de contar uma piada e está esperando as risadas. Me vejo nua para ti. Seus olhos que entram dentro de mim e eu, que já estou tão cheia, me espremo toda aqui dentro só para que tenha mais espaço para ti. Deixo de lado órgão, coração, orgulho, superioridade, e te faço caber aqui dentro de mim outra vez.
Olhos fartos, cansado, cheios, cobertos pela repugnância que você mesmo construiu e custa em se deixar abalar. Olhos que dizem mais do que as palavras que tu tentava escrever.
Olhos que dizem muito mais sobre o que foi de mim e de você.