Talvez você tenha bebido tudo e não tenha deixado nada para mim e num ato muito frio e calculista, foi embora. Enquanto eu pensava estar sozinha, me encontrei. Me encontrei perdida e imunda por essas ruas. Com a cara estampada num urbanóide qualquer de alguma cidade que eu nem sei o nome - e nem faço questão de saber, que diferença faria?.
Ando para trás, acordo em cubículos estranhos, me encontrando na noite com um nó no peito, que parece mais com um escarro preso. Isso não foi feito pela mão humana. não foi.
''O beijo, amigo, é a véspera do escarro''.
Vaguei por alguns corações, e desperdicei todas as oportunidades de te esquecer. Apanhei as lágrimas que qualquer amante derramou pela calçada, gritando pelo amor perdido, pelas almas sugadas nos muros da cidade. Meu orgulho escorreu para ti, e me deixou assim: sozinha, vazia. Nenhuma gota restou, nenhum mísero milímetro.
Eu não quero que você me ouça, eu não quero conversas, eu só quero falar pra ninguém ouvir. As revoluções só acontecem nos livros, nada disso é possível, é tudo muito improvável. A matemática não dá certo, essas imagens que rondam minha cabeça não fazem mais sentido - não que tenham feito algum dia).
Eu ando pelo mundo desperdiçando gente, desperdiçando suor, saliva, cinzas. E nada é cinza. É tudo de um marrom estranho, motor de caminhão, turbinas elétricas, outdoor, pichações, tudo marrom.
Por favor, não tente me salvar, eu não preciso de salvação, eu só preciso de gente.
Levanto-me de mais um dia. Não sei mais se me olho no espelho ou se volto a dormir. Qual seria a diferença? Eu me sinto morta por dentro, eu me sinto oca. A ignorância nos faz perder a visão. Não está nada sob controle. O controle está sobre tudo isso e eu nem faço questão de agarrá-lo e falar pra esse bastardo que sou eu que guio minha própria vida.
Nada faz diferença alguma. Nem o nada me cativa mais.
Que merda, eu não tenho mais nada.
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