quarta-feira, 25 de maio de 2011

Desbotando o amor


Eu não sei quanto tempo se passou. Eu não sei quanto tempo vai passar até que tu se torne meu outra vez. Eu sei que faz mais de um ano, já que aquelas folhas que caíram quando nos despedimos voltaram a cair ontem.

Engraçado como nós perdemos a noção do tempo depois que ele arranca aquilo que é nosso.

Eu não sei quantos anos tu tinhas. Eu não sei quantos anos tu tens agora. Não sei se já está casado, se já tem um outro alguém para segurar a mão que um dia foi minha.

Pensei em te ligar outro dia só para saber como anda a tua voz. Ela ainda é rouca igual aos velhos tempos? Espero que o tempo não tenha mudado o teu tom.

Olha só, tenho escrito bastante para ti. Não sei porquê, mas eu sinto que assim eu me comunico contigo. Tu ainda pensas em mim? Ainda pensa em escrever para mim? Nunca entendi porque tinhas desistido de segurar aquele papel e caneta.

Algum dia, meu bem, algum dia eu irei vestir os meus melhores sapatos e irei andar até tua casa só para ver se ainda moras no mesmo lugar. Eu vou ficar parado na frente da tua porta e irei ameaçar de tocar a tua campainha, só para ver se ela ainda faz o mesmo som. E as tuas cortinas? Elas continuam da mesma cor?

Vem, que a tua solidão me dói. Essa ainda é a tua música preferida?

E eu, ainda sou a tua preferida?

Veja bem...


Eu estive te procurando em algum retrato mal colocado ou um quadro mal pintado aqui dessas casas.
Não te encontrei.
Me desacostumei a viver sem ti. Você era a minha força natural-automática que vivia me colocando no lugar.

Eu não sei muito bem o que tem acontecido comigo. Parece que sugaram tudo daqui de dentro e só deixaram uma parte tão densa que era incapaz de ser sugada ou compreendida.

Depois de um tempo a gente se acostuma com essa sensação. Sei lá, se eu estou aqui deve ter um propósito, não é assim que funciona? Talvez tenham percebido que eu estava tão cheia de problema que me mandaram algo para que eu me esvaziasse. Assim, rápido e prático.

É que a sensação de deserto nem sempre é bem compreendida quando se está de olhos fechados.

Ah, você devia estar aqui pra ver como eu mudei. Você devia estar aqui pra ver o quanto eu vou mudar. Mas quer saber? Talvez seja melhor assim. Você aí me vendo de longe, e eu aqui sem te enxergar nas minhas paredes.

Quem sabe assim eu tenha alguma coisa pelo que lutar.

Desmembrando


Talvez eu ainda te ame, vai saber. Não, melhor, talvez eu sempre vá te amar. Não importa quantos corações eu vá desperdiçar por aí, não importa se minha lista está crescendo cada vez mais, eu tenho a sensação de que se tu aparecesse aqui na minha porta e falasse ”Volta?” eu não iria voltar, mas pensaria muito a respeito.

Não vá me levar a mal, eu juro que o esqueci, juro! Mas é como se alguma artéria dele ainda estivesse presa em mim, como se eu não tivesse conseguido retirar tudo. Vai saber. Talvez seja você impondo tua existência da maneira mais ridícula possível, olha só o que tu estás fazendo. Não é legal brincar assim, tu sabes, e ri.

Eu vou esquecer, eu juro. Eu vou tirar cada fio que liga ele á mim, eu juro. Quantas juras, não é? Não gostas de promesas, eu sei, eu sei. Me desculpa? Eu prometo que nunca mais faço isso. Ah, olha só.

domingo, 15 de maio de 2011

De nós pra nós


Eu me tornei aquilo que você queria que eu fosse quando nos conhecemos.
Eu acho que você nunca chegou a se importar com o prazer que eu sentia toda vez que eu te via aqui. Você sentia?
Você nunca deve ter chegado a me sentir dentro de ti, mas eu estava lá. Eu sempre estive, pra falar a verdade. Acho que você nunca me notou.
Mas quem notaria, não é mesmo?
Eu só me tornei aquilo que você sempre quis agora, assim, do nada. Logo depois de você partir sem me deixar um bilhete se quer.

Suas cartas vão queimar junto com os meus cigarros. E as nossas fotos vão me lembrar daquilo que eu já não sou mais.

Mal-dita


Eu sou o barulho, a explosão. Eu sou a tragédia, o escárnio, a solidão.
Eu me visto com as lágrimas, abuso da grosseria. Eu sou excesso de acidez, eu sou corpo tranbordando rancor.
Eu não presto.
Eu não ligo.
Eu tive, já não tenho mais.
Eu quero tudo, mas não me resta mais nada.

E se você está entrando na minha vida agora, por favor, não liga pra bagunça.

sábado, 14 de maio de 2011

PS


Seu olhar cruza e me cutuca e você ainda tem a coragem de dizer que eu não consigo despertar o seu amor.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ano novo


Eu sei que o meu tempo contigo já passou. Eu sei que o prazo já venceu, que acabou.
Acho que a culpa foi um pouco minha. Eu não estive lá pra te entender e nem pra correr atrás de ti quando você foi embora.
Eu sinto sua falta, admito mesmo, sem medo de me envergonhar depois.
Você me acolhia e pedia pra que algum dia eu escrevesse pra ti, mas olha só: eu nunca soube o que escrever. Não até hoje. Quando você insistiu em voltar aqui pra minha mente e cutucar meus neurônios como quem diz ''Ei! Olha pra mim, eu tô aqui!''. Mas adivinha só? Você não estava, porque eu já não sou mais tua preocupação e - como eu já disse - nosso prazo venceu. Mas por mais que a sua presença aqui na minha cabeça seja só invenção minha, eu ainda prezo pela sua vida junto da minha.
Feliz ano novo, menina-moça.
Te amo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O mesmo ar.


É que eu gosto do que a gente é. Os desencontros. Os acasos. Os silêncios que vez ou outra são cortados por uma das coisas bobas que eu falo.
Eu gosto da carne. Unha. Lábio. Cabelo. Nuca.
Gosto de ti, de mim, dos que nós éramos, do que nós somos.
Não.
Eu amo o que nós somos.

sábado, 7 de maio de 2011

I could be there.


Vai ser sempre você.
No começo, no meio, no final, implícito, descarado.
Não importa onde, não importa a quantos quilômetros da onde eu estou.
Você vai estar sempre na minha história.

Feliz fingido.


Procuro por você, mas já não tenho escolha. Eu estou correndo cada vez rápido. E tudo o que eu encontro no caminho me lembra do que já não sou mais.
Eu tento entender esses teus pensamentos, que te prendem em um lugar que eu não quis conhecer, mas sempre que eu tento você me deixa a mercê dessa tua solidão.

Não tem ninguém para quem você possa gritar, ninguém vai te entender. Não dá mais tempo, já não tem pra onde fugir.

Eu fecho os olhos e me lembro do seu sorriso, eu tampo os ouvidos com medo de ouvir aquilo que não quero. Mas me esqueço que o que eu deveria fazer era ficar com a boca fechada para não te fazer sofrer.

Desculpe pelas futuras mágoas. Me desculpe pelas futuras cicatrizes. Eu quis pensar em mim, só pra variar um pouco.

Utopia.


As vezes eu queria que existisse um continente só, com um país só, um estado só, uma cidade só. Para que você se mudasse e continuasse aqui, perto de mim.
As vezes queria um mundo onde só existisse eu e você. Sem mais ninguém. Assim eu nunca ia te perder.

Me diz o que fazer se agora eu não vou te ter nos momentos em que eu mais precisar.

O [tal do] desamor.


O mais ridículo de tudo isso é que eu sou imposta à te esquecer.
Não houve nenhuma briga, nenhuma mágoa, decepção, lágrima. Eu vou ter que te esquecer sem que você tenha me machucado.

Seria capaz de eu pedir pra você me traír, me bater, pisar em mim. Só pra que esse amor diminuísse um pouco, talvez ficasse mais fácil se crescesse um pouco de rancor dentro de mim.

Mas olha só que loucura: eu sou obrigada a esquecer alguém que eu não quero, a fingir que me machucou, fingir que me faz mal. Mas não fez, e disso eu sei bem.
E como explicar isso pro meu coração?

Namoros deviam vir com manual de instrução. Um bem acabadinho mesmo, em outra língua talvez, mas só pra eu saber o que fazer quando não tiver ninguém segurando a minha mão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Suado corrompido


Esse é o começo da carta que nunca será lida, endereçada ou até mesmo entendida – por mais que para mim faça o maior sentido do mundo.

É a carta daqueles que não tem voz, daqueles que têm por quem gritar mas não tem coragem. Dos mal amados, dos que sofrem, dos que fazem sofrer, dos que já cansaram de viver da utopia. Isso é para os que insistem em beber na mesma taça, e para aqueles que já trocaram seus copos faz tempo.
Essa carta é para aliviar os neurônios, restaurar os ânimos, procurar o amor perdido.

É – também – para dizer o quanto eu cansei de entender os outros e de ser entendida. Cansei dos pseudo-revolucionários inrustidos, os que pensam que amam, os que tem medo de serem amados. É pra você. Pro que eu fui.

pra quem
mata pra
não morrer.
pra quem morre
por ter medo
de matar.

Com amor, Eu.