domingo, 20 de novembro de 2011

Triste é viver só de solidão

Uma vez tu pegou minha mão e me disse que as digitais não saem da vida de quem tocamos. Eu me lembro que foi um dos únicos momento da minha vida que eu não tinha o que dizer.
Tu me abraçou e foi embora cantando algum verso dessas bandas argentinas que tanto gostava.

Daquele dia em diante minhas noites nunca mais foram as mesmas.
Aqueles dias eram quentes e tinham muito contraste. Era notória a mudança no tom da minha vida, qualquer um poderia ver.
Eu acordava e dormia com o mesmo gosto na boca. Não, não era amargo. Era doce e me doía não poder compartilhá-lo contigo.

Eu me sentia assim, sugada até a última gota. Materializada em bens tão minúsculos que me sufocavam. Me via dentro de caixas de fósforos, discos usados, maços de cigarro e camas vazia, muitas vezes. Eu me via dentro de tudo aquilo e me sentia horrível por saber que não ocupava o lugar mais importante, que era teu coração.
Me senti impotente, enquanto eu banhava minha alma diariamente com o teu corpo, tu vinha me dizer que nossa essência estava acabando e que era hora de mudarmos.
E mudar pra quê?
Pra quê tirar nossas digitais da vida, do corpo, da boca, do copo, da cama um do outro?

Você silenciou e a resposta chegou através do tempo: nós havíamos nos perdido, e até cegos conseguiam ver os restos deixados por eu e você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário