Eu te observava de longe e você não me via, quer dizer, eu imaginava que não me via. Eu reparei dentro dos seus olhos, dentro da sua alma, dentro do seu copo, dentro do seu corpo. Eu olhei praquelas covinhas ridículas que apareciam na sua bochecha quando você dava risada de algo mais ridículo ainda. Eu te observei observar as taças. Eu te observei observar as camas. Eu te observei observar os quadros.
Você estava lá fazendo o seu show e eu era uma mera figura da platéia, sabe, nada demais. Você tava feliz, cara, você tava. As malditas covinhas não saíam de você.
Você era feliz mesmo não me tendo, mesmo que eu tenha sido rude, mesmo que eu tenha falado coisas pesadas no seu ouvido. Você era feliz sem mim. E eu me observei observando o seu sorriso amarelo que gritava pra quem quisesse ouvir a tal da palavrinha que eu tanto esperei ouvir: s u p e r a ç ã o. Assim mesmo, com todas as letras. Você tinha me superado, até mesmo me esquecido, quem sabe.
Meu coração fragilizava a cada batida dos pratos, e eu em prantos. Era seu aquilo, entende? Era seu, e nada nem ninguém podia tirar o que era seu por lei. Agora era você quem me observava, com um olhar pesado, não rude, só pesado. Como quem mostra pro outro que está bem, e está bem mesmo que a pessoa tenha tentado deixá-lo mal.
Você estava bem.
Você estava bem melhor sem mim.
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