sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Braços castos


O céu costumava ficar mais claro quando você estava aqui. Azul, com uns toques de cinza, imitando um nublado só para te deixar feliz.
Minhas palavras saiam menos secas quando você estava aqui. Saiam ligeiras e sem medo de magoar, como se não precisasse se importar com o mundo que embrulhava o nosso quarto.

A fumaça ficou mais áspera, chega no meu pulmão mais rápido e sai como uma linha que risca a parede dessa casa que já foi um lar certo dia.
A parte vazia da nossa cama tem chamado pelo teu nome todo dia, perguntando aonde você foi, se vai voltar cedo, se cansou de mim.
Se cansou de mim.

Tentei segurar meu fôlego outro dia pra ver se algo acontecia, se minha asma iria me matar, mas tive medo. Temos um futuro.
Tememos o futuro.

Coloquei sua música favorita pra tocar enquanto eu dançava com o vento que me acompanhava. Triste, calado. Vesti aquela blusa que você tanto me enchia o saco dizendo que eu só usava ela. Vesti sem problema algum, sem pensar no que você falaria quando me visse.
Você me veria?

Dancei, sozinha, mais uma vez.
Dormi sozinha mais uma vez, esperando tu entrar pela minha porta que nem naquela música.
Passaram a ''meia-hora'' e nada.

A esperança tem palpitado na minha garganta pedindo pra sair.
Vem, volta e me faz acreditar - pela primeira vez - nessa coisa que os outros chamam de fé.

Um comentário:

  1. Olá,
    Adorei o seu blog e o conteúdo dele.
    Tem post novo no nosso blog, dá uma passadinha lá? =)
    Que você tenha um excelente final de semana!
    Beijão

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