Parei pra ouvir os outros. Os outros não, um em especial.
Um amigo sumido, que quando volta, fala as coisas mais babacas do mundo que depois de um tempo fazem sentido. Enfim, ele deveria me ajudar, mas só me deixou pior, e é por isso que eu o amo. Ele não mente pra mim dizendo que ''Vai ficar tudo bem'' ou ''Isso vai passar, você ainda tem muito tempo pela frente''.
Ele foi prático, e me disse assim, sem mudar uma vírgula: você não é nada.
E eu concordo.
Então ele continuou:
''Anna, você não é nada. Não tem porquê você ficar sofrendo por um outro nada. Por que nós somos nada, entende? Na rua nós somos carros. Na escola nós somos números. Nos mercados nós somos dinheiro. Na vida dos outros nós somos figurantes.
Nós não somos nada. Nós não somos pessoas, nós somos acontecimentos. Pequenos estalos que ficam pipocando por aí, tentando - por algum motivo - pertencer a alguém. Mas aprende, menina, nós não nascemos pra pertencer a ninguém. A gente tá aqui nessa merda de mundo pra deixar uma pegada qualquer, algo que lá em 2100 alguém vá aprender sobre a gente numa aula chata de História e vai dizer ''Nossa, como eles conseguiam viver assim?''.
Anna, não somos nada.
Somos só a porra de um instante pra História, que tá pouco se fodendo pra gente.
Aprende, Anna. Não sofre por um instante, um acontecimento. Sofre por você, e só por você. Porque é só você que importa pra si mesmo. Eu, ou qualquer outra pessoa da sua vida, vamos ser só memórias que acabam.
Aprende, Anna. Pega teu orgulho de volta e aprende que não vale a pena gastar suas lágrimas com pequenos espamos que depois acabam.''
Obrigada.