domingo, 21 de agosto de 2011

Teorias de um amor moderno III

Eu me acostumei a ser triste, forçado ou não.
Eu gostava de ser triste porque tu só vinha falar comigo quando via que eu não estava bem, então eu comecei a não ficar bem todo dia só pra que tu viesse puxar papo comigo.

Muitas vezes eu forjei umas lágrimas, inventei o nome de um ou dois caras só pra ver se você se sentia incomodado de alguma forma. Todas as vezes falhei, você não se incomodava e tentava me animar. Falando sobre festivais, lua, cosmos, árvores, vida-pós-morte. Nada daquilo fazia sentido, e eu gostava.

Comecei a pensar que tu fosse gay, quem sabe você não gostasse de mulher e por isso era tão legal comigo, como amigo só. Tentei ser feliz por um tempo pra ver se você me notava. Parei de passar maquiagem forte nos meus olhos e de usar roupas escuras. Dava risada pro nada. Parei de beber, parei de fumar. Virei eu, pra ver se tu gostava de mim.
Não aconteceu nada.

Fiquei triste mais uma ou duas vezes, e fiz questão que você percebesse. Borrei a maquiagem e soltei a fumaça do meu cigarro na tua cara alegando ter um vazio dentro do meu peito. Não era mentira. O vazio existia só esperando você ocupá-lo. E você dizia me entender, que passava pela mesma coisa, então me dava uma vontade de gritar na sua cara que eu estava aqui e só você não percebia que eu podia preencher o seu vão, e que você faria o mesmo comigo.
Mas nunca o fiz.

Até o dia em que minha tristeza se tornou real, e você estava de mãos dadas com outra pessoa que lhe fazia feliz. E me senti um lixo, por que nossas conversas sempre foram baseada na minha tristeza e eu nunca tinha feito você rir.
Foi o dia em que o mundo me deu um tapa e disse pra quem quisesse ouvir que você não era gay, era apenas esperto.
E homens espertos que nem tu jamais se apaixonariam por mulheres forçadas que nem eu.



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