sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Sobre as coisas que eu perdi.

Eu perdi meus óculos. Perdi meu cabelo comprido. Perdi minhas unhas coloridas. Perdi minhas cores. Perdi minha virgindade. Perdi quem mais me amava. Perdi quem eu mais amava. Perdi alguns amigos. Perdi as palavras. Perdi a razão. Perdi a inspiração. Perdi o ânimo. Perdi pra distância. Perdi o coração. Perdi a naturalidade. Perdi minha essência. Perdi minhas músicas favoritas. Perdi meus livros favoritos. Perdi os shows que eu mais queria ver. Perdi os programas de tevê que não reprisam mais. Perdi a minha infância. Perdi um ano inteiro pensando na mesma coisa. Perdi a saliva. Perdi o tato. Perdi o amor. Perdi pro amor. Perdi minhas chances. Perdi meu passado, Perdi minha melhor amiga. Perdi gente que não era tão importante, mas vai fazer falta. Perdi viagens. Perdi o maldito pacote da Oreo. Perdi minhas roupas favoritas. Perdi a cabeça. Perdi meus lenços. Perdi o isqueiro. Perdi o meu aniversário. Perdi meu cabelo preto. Perdi meu aparelho. Perdi meu sorriso. Perdi a fé.
Perdi 2011 e pedi para que 2012 fosse diferente, mas já perdi as esperanças.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Suspiros acordados e a voz do coração lá no fundo do seu peito que não se cala.
Vai saber, quem sabe.
Uma vez me disseram que amor era isso, se importar mais com o outro do que com si mesmo. Amar mais ao outro do que a sim mesmo.
Não.

Portas abertas para deixar o vento entrar em nossos corpos, corpos penetrando em corpos, a lágrima, o suor, desejo, possibilidades perdidas, pessoas achadas, viadutos, estradas sem direção, planejamentos futuros, você.
Não importa se tem amor, não importa se é amor. Nada disso importa.
O que importa é quando estamos juntos e a individualidade some e dá lugar ao que é nosso.

Quando Eu vira Nós, e Você vira Meu.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

29

sob o pretexto de não se apegar
nós agimos feito loucos
sob o receio de amar
nós nos machucamos aos poucos

domingo, 27 de novembro de 2011

Um.

Olha, não sei bem porque eu estou escrevendo isso, sabe. Você não tem merecido mais nada que vem de mim, mas talvez eu queira deixar cravado em pelo menos alguma parte do seu corpo (por mais que seja só o cérebro) o fato de tudo isso ter feito um ano já.

Será que você se lembra de como tudo era maravilhoso há um ano? De como era tudo muito puro e muito juvenil? Você se lembra de como era não ter preocupações com nada além da quantidade de cervejas que a gente deveria comprar pra abastecer aqueles bêbados loucos?

Faz um ano que a gente cresceu, amadureceu, se perdeu, se encontrou, se perdeu de novo. Tudo isso que a gente viveu passou tão rápido que agora completa anos, e não mais meses, dá pra entender?

Foi justamente hoje que eu percebi - e espero que você perceba o mesmo - que não adianta ficarmos sofrendo um pelo outro. Não porque não vale a pena, tu vale a pena e eu sei que eu valho a pena pra ti, mas sim porque não faz sentindo substituir uma coisa tão bonita quanto tudo aquilo que nós vivemos por uma lembrança horrível. Eu disse desde o começo que não queria que você se lembrasse de mim de um jeito feio, que eu queria congelar os momentos na sua memória para que quando eles terminassem você ainda se lembrasse com carinhos deles. Você ainda se lembra?

Olha, não vou mais te pedir nada, e talvez depois de um ano já seja hora de parar de escrever pra ti, mas eu quero que tu saibas que talvez eu ainda tenha algum tipo de nojo de você, mas é coisa besta e talvez daqui há um ano isso passe. E por mais que a gente tenha se distanciado, fingindo que o outro não existe mais, eu quero que você saiba que tem um espaço muito especial guardado na minha memória, eu não sei se o mesmo acontece contigo, mas isso não importo. Eu não desejo nada de ruim pra ti, você sabe disso. Eu quero tanto tanto tanto que tu seja feliz, cara, sozinho ou acompanhado, não importa. Eu quero que você voe, que você alcance esses lugares inimagináveis que a sociedade nunca conseguiu tocar os pés, sabe? Você consegue, você é iluminado e eu já te disse isso mil vezes.

Então, feliz ou triste um ano. Faz teu show e não se deixa abalar por meninas como eu, por que meninas assim vão entrar e sair da sua vida, eu só espero que tenha deixado alguma marca.
Adeus?

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Acaso do erro?

Eu te observava de longe e você não me via, quer dizer, eu imaginava que não me via. Eu reparei dentro dos seus olhos, dentro da sua alma, dentro do seu copo, dentro do seu corpo. Eu olhei praquelas covinhas ridículas que apareciam na sua bochecha quando você dava risada de algo mais ridículo ainda. Eu te observei observar as taças. Eu te observei observar as camas. Eu te observei observar os quadros.

Você estava lá fazendo o seu show e eu era uma mera figura da platéia, sabe, nada demais. Você tava feliz, cara, você tava. As malditas covinhas não saíam de você.

Você era feliz mesmo não me tendo, mesmo que eu tenha sido rude, mesmo que eu tenha falado coisas pesadas no seu ouvido. Você era feliz sem mim. E eu me observei observando o seu sorriso amarelo que gritava pra quem quisesse ouvir a tal da palavrinha que eu tanto esperei ouvir: s u p e r a ç ã o. Assim mesmo, com todas as letras. Você tinha me superado, até mesmo me esquecido, quem sabe.

Meu coração fragilizava a cada batida dos pratos, e eu em prantos. Era seu aquilo, entende? Era seu, e nada nem ninguém podia tirar o que era seu por lei. Agora era você quem me observava, com um olhar pesado, não rude, só pesado. Como quem mostra pro outro que está bem, e está bem mesmo que a pessoa tenha tentado deixá-lo mal.
Você estava bem.

Você estava bem melhor sem mim.


segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Novembro?

Eu cansei de correr atrás da vida que eu merecia ter. Estou exausta, ofegante, suada, surrada. Cansei de apanhar em cada curva, de me curvar para ver as pessoas que me puxam para baixo. Olho para trás e vejo as pessoas que eu perdi só porque insisti em correr.

Eu não aguento mais sair impune de um erro que eu cometi. Erro, engano, crime, tanto faz. Não faz sentido eu não sentir nada e você sentir tudo. Não faz sentido eu não sentir o que eu sentia antes.
Eu sinto muito pelo que eu venho me tornando.
Eu sinto muito pelo que nós fomos.
Eu sinto muito por você.

domingo, 20 de novembro de 2011

E não querer te ver triste implica em me fazer triste.