quarta-feira, 11 de maio de 2011

Ano novo


Eu sei que o meu tempo contigo já passou. Eu sei que o prazo já venceu, que acabou.
Acho que a culpa foi um pouco minha. Eu não estive lá pra te entender e nem pra correr atrás de ti quando você foi embora.
Eu sinto sua falta, admito mesmo, sem medo de me envergonhar depois.
Você me acolhia e pedia pra que algum dia eu escrevesse pra ti, mas olha só: eu nunca soube o que escrever. Não até hoje. Quando você insistiu em voltar aqui pra minha mente e cutucar meus neurônios como quem diz ''Ei! Olha pra mim, eu tô aqui!''. Mas adivinha só? Você não estava, porque eu já não sou mais tua preocupação e - como eu já disse - nosso prazo venceu. Mas por mais que a sua presença aqui na minha cabeça seja só invenção minha, eu ainda prezo pela sua vida junto da minha.
Feliz ano novo, menina-moça.
Te amo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O mesmo ar.


É que eu gosto do que a gente é. Os desencontros. Os acasos. Os silêncios que vez ou outra são cortados por uma das coisas bobas que eu falo.
Eu gosto da carne. Unha. Lábio. Cabelo. Nuca.
Gosto de ti, de mim, dos que nós éramos, do que nós somos.
Não.
Eu amo o que nós somos.

sábado, 7 de maio de 2011

I could be there.


Vai ser sempre você.
No começo, no meio, no final, implícito, descarado.
Não importa onde, não importa a quantos quilômetros da onde eu estou.
Você vai estar sempre na minha história.

Feliz fingido.


Procuro por você, mas já não tenho escolha. Eu estou correndo cada vez rápido. E tudo o que eu encontro no caminho me lembra do que já não sou mais.
Eu tento entender esses teus pensamentos, que te prendem em um lugar que eu não quis conhecer, mas sempre que eu tento você me deixa a mercê dessa tua solidão.

Não tem ninguém para quem você possa gritar, ninguém vai te entender. Não dá mais tempo, já não tem pra onde fugir.

Eu fecho os olhos e me lembro do seu sorriso, eu tampo os ouvidos com medo de ouvir aquilo que não quero. Mas me esqueço que o que eu deveria fazer era ficar com a boca fechada para não te fazer sofrer.

Desculpe pelas futuras mágoas. Me desculpe pelas futuras cicatrizes. Eu quis pensar em mim, só pra variar um pouco.

Utopia.


As vezes eu queria que existisse um continente só, com um país só, um estado só, uma cidade só. Para que você se mudasse e continuasse aqui, perto de mim.
As vezes queria um mundo onde só existisse eu e você. Sem mais ninguém. Assim eu nunca ia te perder.

Me diz o que fazer se agora eu não vou te ter nos momentos em que eu mais precisar.

O [tal do] desamor.


O mais ridículo de tudo isso é que eu sou imposta à te esquecer.
Não houve nenhuma briga, nenhuma mágoa, decepção, lágrima. Eu vou ter que te esquecer sem que você tenha me machucado.

Seria capaz de eu pedir pra você me traír, me bater, pisar em mim. Só pra que esse amor diminuísse um pouco, talvez ficasse mais fácil se crescesse um pouco de rancor dentro de mim.

Mas olha só que loucura: eu sou obrigada a esquecer alguém que eu não quero, a fingir que me machucou, fingir que me faz mal. Mas não fez, e disso eu sei bem.
E como explicar isso pro meu coração?

Namoros deviam vir com manual de instrução. Um bem acabadinho mesmo, em outra língua talvez, mas só pra eu saber o que fazer quando não tiver ninguém segurando a minha mão.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Suado corrompido


Esse é o começo da carta que nunca será lida, endereçada ou até mesmo entendida – por mais que para mim faça o maior sentido do mundo.

É a carta daqueles que não tem voz, daqueles que têm por quem gritar mas não tem coragem. Dos mal amados, dos que sofrem, dos que fazem sofrer, dos que já cansaram de viver da utopia. Isso é para os que insistem em beber na mesma taça, e para aqueles que já trocaram seus copos faz tempo.
Essa carta é para aliviar os neurônios, restaurar os ânimos, procurar o amor perdido.

É – também – para dizer o quanto eu cansei de entender os outros e de ser entendida. Cansei dos pseudo-revolucionários inrustidos, os que pensam que amam, os que tem medo de serem amados. É pra você. Pro que eu fui.

pra quem
mata pra
não morrer.
pra quem morre
por ter medo
de matar.

Com amor, Eu.