
Tiquetaqueando por aí me encontro em uma pilha onde sei que não deveria estar.
Perdida entre borrões de tinta que devem ter feito sentido algum dia para alguém, encontro alguns bilhetes perdidos e avisos como ''Você deveria ter corrido antes que a bomba explodisse em seus pés'' ou ''Eu te avisei''.
Mais uma vez chega a dor que já deixou de ser psicológica faz tempo, e assombra cada metro quadrado do que ainda é pele, músculo, célula.
Sorrio, como se fosse meu remédio. Sorrio como se fosse minha máscara para a dor.
Olho ao meu redor e posso ver o vento entrando pelas cortinas enquanto percebo que a festa que estava acontecendo aqui já acabou faz tempo.
Talvez eu quisesse mais tempo. Precisasse de mais tempo.
Só pra perceber que tudo o que eu precisava já estava aqui há muito tempo e não faz sentido ir embora assim pela saída de emergência.
Eu só queria mais tempo.
Eu, mais uma vez, só.
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