
Toda noite eu vou para o mesmo lugar, carregando a minha garrafa na mão e algumas lembranças na cabeça. Uma dose de insegurança, outra de medo, e acabo por ficar louca após a terceira taça.
Todo dia eu chego no mesmo ponto, como milhares de agulhas que me furam só para que eu saiba o que é o alívio depois de retiradas, que é você, não é novidade.
Venho carregando um museu nas minhas costas, e não olho pra trás, juro. Eu pensava que o passado era meu único problema, mas agora peguei um medo imenso do futuro. Não estou me referindo só a você - embora você tenha uma parte bastante significativa nisso tudo - me refiro a mim mesma. Eu não sei o que eu vou ser, eu não sei o que eu vou estar fazendo semana que vem, não sei qual vai ser a cor do meu cabelo ano que vem, não sei se ainda vou ter seu cheiro grudado em mim. Ah, olha lá, cheguei no mesmo ponto, de novo. Parece até que eu gosto. Tô exausta.
Me dá outra dose de alívio, vai.
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