segunda-feira, 4 de abril de 2011

(Bom dia)


É como se a faca mais amolada do universo inteiro estivesse apontada para mim, mas ela ainda não me corta. Como se segurassem ela bem perto do meu pescoço, com mãos trêmulas de uma criança, mas sem coragem de encostá-la em mim. Por que vai doer, você sabe, eu sei. Vai doer.
Eu não tento desviar, eu não tento fugir, eu continuo parada. Eu imagino que a faca vai trazer alívio, vai trazer paz.
Se fui egoísta antes, pode escrever aí no seu caderninho que agora não sou mais. Agora tudo que é meu está em suas mãos (até mesmo aquilo que eu jurava não ter). E você me aperta, como se não fosse me soltar nunca mais, como se...
Já não importa mais, podem me chamar de masoquista, eu não me importo. Eu te tenho agora, e isso supera qualquer tipo de masoquismo ou sofrimento futuro pelo qual eu vou passar.
Fica tranquilo, meu amor, quando minhas lágrimas rolarem, eu prometo que não vou deixar você vê-las. Vai dar tudo certo. Confia.

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