sábado, 3 de abril de 2010

Quem me dera...

Viva! eles gritavam enquanto corriam pelos campos acizentados.
Pessoas por toda parte com garrafas na mão gritando feito doidos. Corremos.
Vamos fugir desse caos, amor. Vamos fugir!
Olhávamos pro lado e víamos a chuva de fogos de artifício e a fumaça causada por ele.
Era o último dia de nossas vidas. Era.
Paramos e vimos a lua, ela parecia sorrir pra nós.. sorrir não, estava rindo com a gente! Ah, essa vida é realmente bela, coração. Entre os afagos e os gritos da sociedade ainda podíamos ver a felicidade na cara das crianças-adultas que estavam deixando as suas casas.
Até aí já estavamos flutuando, e nada mais importava não, era só a gente, sabe? A gente podia fazer a merda que quísessemos, ninguém tava nem aí. Nós éramos irrelevantes.. e adorávamos isso!
Me olha pela ultima vez antes de partir, ele disse.
Última vez? Não, isso é eterno, meu bem. Tava tudo ali, nossa vida toda numa noite. A gente ia decidir o que iriamos fazer naquele momento, não é? Decidi passar o resto da vida ao seu lado.
Corremos mais, aqueles campos já estavam ficando tão perturbadores! Percebemos que a cidade estava dormindo, enquanto continuávamos naquela ressaca de sentimentos.
Então tá decidido.

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