
Só vou esclarecer algumas coisas que não ficaram muito claras. Meio mal ditas, meio mal resolvidas. Se venho até aqui para te escrever algo - por mais pequenininho que seja - é por que talvez ainda me importe um pouco contigo, não é? Poderia não ser. Não digo essas coisas para poder fingir que sou durona, grossa ou até mesmo forte, como você mesmo disse em várias ocasiões nas quais eu dizia para ti que sou desprovida de lágrimas. Não é pra isso. É porque sinto isso, é porque não gosto disso. E você sabe, você sempre vai ser um dos meus alter-egos.
Eu poderia criar zirilhões de personagens para enfatizar tudo o que já vivemos. E não é exagero da minha parte. É pelo fato de que, em cada momento em que voltamos a conversar, fomos duas pessoas completamente diferentes. Éramos muito bobos antes, se lembra? Acho que nem nos amávamos, ou melhor, nem tínhamos descoberto o amor (não que eu saiba o que é agora, mas enfim) Aí passou um tempo, algumas coisas mudaram, você mudou drásticamente, como sempre. Eu continuei a mesma, talvez um pouco menos doce, um pouco menos ingênua - por mais que ainda acreditasse em tudo o que me dizia. Eu fingia ser forte, e eu não era.
Já me peguei chorando algumas vezes olhando pras palavras tão duras que saiam de ti, que era tão doce pra mim. Paramos. O meu mundo parou um pouco. Você sabe, ele girava mais lentamente sem você por perto, sei que é clichê, mas o mundo realmente girava mais rápido contigo por aqui. Mas eu sobrevivi.
Procurei alguns amores por aí, e falhei em todos eles. Não foi nem falhar, eu me enganei. Eu me iludi, e iludi a todos eles - continuo com essa mania de iludir os outros por prazer - eu só não te iludi.. talvez por um tempo, mas éramos bobos, lembra?
Lembra daquela música que uma vez você disse que parecia muito contigo? Mas na verdade ela me retratava perfeitamente. 'Ninguém enxerga através de mim'' Me arrependo um pouco disso. Talvez se eu tivesse sido menos medrosa, menos abstrata, talvez você estivesse aqui do meu lado, segurando minha mão enquanto eu contasse segredos jamais ditos pra nenhuma outra pessoa, no teu ouvido.
''Não pense que eu fui tão bom assim pra você'' Ah, eu já pensei em te dizer tantas vezes isso! Mas retrocedi, e pensei no quão boba eu seria fazendo isso. Por que na maioria das vezes, eu me sentia uma boba perto de ti. Por que na maioria das vezes, você se mostrava diferente por um lado bom, enquanto eu mudava para pior. E os papéis se inverteram, você se tornou superior da noite pro dia. E eu continuei parada no tempo, esperando que algum dia você fosse voltar, e me buscar. Mas isso nunca aconteceu.
Aconteceu uma vez ou outra em uma dessas fantasias bobas que meninas de 14 anos tem, mas você sempre disse que eu não era igual às outras meninas de 14 anos. Pois é aí que você se enganou - e feiamente - eu sou igual. Eu sou frágil, totalmente dependente e totalmente ingênua quando se trata de amor. Quando se tratava de você.
Não queria que isso parecesse um testamento, um epitáfio ou carta de despedida. Queria que visse isso como um.. diário. Sabe, pessoas escrevem as coisas boas pelas quais passaram em seus diários, para jamais se esquecerem. Queria que visse isso aqui (pois ainda não achei um nome que englobe isso aqui o que estou fazendo) como as nossas boas lembranças, quero que se lembre de tudo a partir do momento em que ver as palavras ''pão de queijo'' ou ''free gells''.
Aliás, seria bom também que não se esquecesse muito de mim. Queria que me mantesse petrificada dentro de ti, mas petrificada mesmo, para se lembrar para sempre dessa pedra que eu fui/sou. Vou tentar fazer o mesmo, vou te guardar aqui dentro de mim com a mesma intensidade - e com um pouco menos de fantasia - que antes.
E bem, eu sei o quão contraditória eu sou, mas jamais esqueça uma palavra que eu já disse aqui, ou em qualquer outro texto que já escrevi referente à ti. Te desejo muita sorte, e me desculpe se depois de tudo isso eu voltar atrás, só vai provar o que eu sempre tentei de dizer: sou fraca. Te amo, pra sempre é muito tempo, mas por alguns meses talvez.